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'Alright, alright, alright '

por Carla Hilário Quevedo, em 11.03.14

 

A hora adiantada da cerimónia não me permitiu ouvir bem o discurso de agradecimento de Matthew McConaughey, vencedor do Óscar de Melhor Actor pela sua interpretação em O Clube de Dallas. Felizmente, existe o YouTube. O que de madrugada me parecera um discurso errático, à tarde mostrou ser um agradecimento racional a Deus, à família e, com graça, a um herói que perseguia, que era ele próprio daí a dez anos. A Deus agradeceu por lhe dar a certeza de não estar sozinho, à família, uma fonte de força e orgulho, por lhe ter ensinado a respeitar-se a si mesmo e aos outros. Quanto ao herói que gostaria de encontrar, esclareceu que esse herói era ele próprio, sempre daí a dez anos. Porém, a ideia de se projectar no futuro não seria possível sem aquele sentimento de gratidão tão profundo que anunciara antes. Era por ser grato pela sua vida que podia aspirar àquele herói, que, bem o sabia, lhe escaparia sempre. Foi um discurso corajoso e notável.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-3-14

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publicado às 21:28

Felicidade online

por Carla Hilário Quevedo, em 11.03.14

As caixas de comentários dos jornais online são por norma ocupadas por pessoas que não estão interessadas em comentar nada. Os insultos e a falta de educação são frequentes, mas há dias uma notícia era invadida por uma multidão a dar os parabéns e a desejar felicidades. A quem e porquê? À cantora Dora, por trabalhar no McDonald's. Comecei por não perceber qual era a notícia, até porque não entendo o que tem o mundo a ver com a maneira como as pessoas, 'famosos' ou outros, resolvem problemas sérios como são os da sobrevivência. Haverá sempre quem explore os momentos menos felizes da vida dos outros. 'Dora no McDonald's' só é notícia porque há imensa gente que gosta de assistir aos maus bocados da vida alheia. As palavras de incentivo mostram bem a felicidade de 'estarmos todos atolados no pântano'. Se o mundo fosse um sítio decente, não haveria um único comentário naquela notícia. Ou talvez só um: 'Dois euros e meio à hora é uma exploração!'.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-3-14

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publicado às 21:22