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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 13.03.14
Anna Karina

 

... há dias, no Prós e Contras, Belmiro de Azevedo foi elogiado por ser frugal e não andar a saltitar alegremente entre a Montblanc e a Prada na Av. da Liberdade. Percebo o ponto, afinal de contas, '[a lady] won't go to Harlem in ermine and pearls', e reconheço o valor da não ostentação, pouco comum em tempos de grande crise, ao contrário do que seria de esperar. Mas, na verdade, não me comove e isto acontece porque há um aspecto mais importante, pelo menos para mim: não tenho nada a ver com o modo como os outros vivem, se são perdulários ou poupados é lá com eles. Uma sociedade livre, i.e., que se mete na sua vida, só olha para o lado quando as pessoas cometem crimes, porque o crime afecta tudo, mancha a vida, ou em termos menos comuns, polui a cidade. Fiquei depois disto a pensar que, se tivesse uma fortuna belmiriana, iria agora de manhã para o aeroporto onde compraria um bilhete de ida e volta em aberto para Londres. O Carlos podia vir comigo se lhe apetecesse, mas iria avisado da incerteza sobre a data de regresso. Podia ser nas mesmas 24 horas ou não. A ideia era mesmo ir lá ver uma obra que está na sala 1730 da Tate Britain. Ficaria ali sentada, daria uma volta, talvez, voltaria, sentar-me-ia de novo e ali ficaria até ter vontade de me ir embora. A minha ideia de luxo também não é ostensiva, pois não? 

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publicado às 08:19