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Caros tribunais...

por Carla Hilário Quevedo, em 26.03.14

... de todas as instâncias do país e arredores, venho, por este meio, solicitar o perdão do pagamento de duas multas de estacionamento, uma no valor de 30 euros e outra no valor de 60. Apresento três razões por que solicito o perdão das multas e não arrasto o assunto pelos tribunais até chegar o dia da prescrição das mesmas, seguindo os nobres exemplos de Jardim Gonçalves, João Rendeiro e Oliveira e Costa. Primeiro, não é preciso ser um génio para perceber que uma pessoa que Vos escreve por causa de 90 euros também não está disponível para contratar advogados para arrastar o caso indefinidamente. Segundo, ao contrário dos três cavalheiros que mencionei, não tenho tempo para prescrições. Só pessoas de uma certa idade não têm pressa na vida. Por último, a possibilidade de haver prescrições de multas de milhões de euros dificulta bastante a V. recusa. Entenderei o V. silêncio como um sinal de aprovação ao meu pedido. Cordialmente, Carla Quevedo.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-3-14

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publicado às 18:10

Impressões verdadeiras

por Carla Hilário Quevedo, em 26.03.14

Há dias fui acusada de ter feito uma crítica aos críticos de Kim Novak. A acusação tinha como fundamento uma verdade não escrita de o exercício de criticar quem critica ser irrelevante. Fiquei a pensar nesta crítica à minha crítica aos críticos e não fui capaz de lhe atribuir nenhum sentido, pelo que concluo que se trata de uma impressão como qualquer outra, verdadeira e relevante como são as impressões, além de incorrigível também ela enquanto tal, como a minha impressão e as que a provocaram. Há um ponto sobre impressões em que todos temos razão e essa razão está no que nos toca a nós e só a nós, por mais que seja comum à humanidade, que é. Não há engano no que sentimos. Por exemplo, Donald Trump reagiu à aparição da super-operada Kim Novak com o seguinte tweet: “Devia demitir o cirurgião plástico”. É verdade. Depois houve quem lhe dissesse: “Olha lá, e se te metesses na tua vida?”. Também é verdade. E depois: “Não ligues ao Trump”. Também.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-3-14

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publicado às 18:06