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Gosto de ti

por Carla Hilário Quevedo, em 30.04.14

Na visita à Austrália e à Nova Zelândia, a duquesa de Cambridge usou um vestido amarelo vivo e ouviu um piropo do marido. Segundo Kate Middleton, o príncipe William terá dito que a mulher “parecia uma banana”. Pelo que li na imprensa inglesa, ninguém gostou do elogio. Sarah Rainey, no Telegraph, criticou o gosto de moda do príncipe, como se William quisesse fazer uma avaliação do vestido. Danae Mercer, no mesmo jornal, quis dar uma aula aos homens sobre como elogiar as mulheres. Gostaria de defender o príncipe William, que teve graça na sua observação atrevida. Se Kate parecia uma banana, toda amarela e fresca, o desejo seria o de lhe tirar a casca e dar-lhe uma mordidela. Perante as interpretações cinzentonas, há que esclarecer. Não queremos conhecer as piadas privadas do casal. Mas a ambiguidade sexual está lá para quem a quiser e puder ver. William só disse que gostava de Kate e que não se importava nada de a conhecer melhor. Outra vez.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 24-4-14

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publicado às 19:46

Probabilidades

por Carla Hilário Quevedo, em 30.04.14

Um artigo curioso na Economist revela alguns dados sobre as probabilidades de sermos vítimas de homicídio. A primeira boa notícia vai para as mulheres. As probabilidades de serem assassinadas ficam reduzidas, a não ser que se casem ou vivam no Japão ou na Coreia do Sul. Uma vez que as mulheres não se dedicam tanto a actividades criminosas, correm menos riscos. As vítimas femininas morrem às mãos dos maridos ou namorados. Sobre os homens, o melhor é não viver nos Estados Unidos nem em África. Devem ainda evitar as Honduras, o país mais violento do mundo, em que é morta uma pessoa em 1.100, segundo dados das Nações Unidas. Bom também é envelhecer. Quanto mais velho, menos hipóteses há de ser assassinado. Tinha de haver uma vantagem. Excepto, calma, se viver na Europa. Aí o perigo espreita de novo às mulheres com mais de 60 anos que tiverem companheiros. Como combatemos as probabilidades? Vai tudo viver para a segura Singapura. Cada um na sua casa.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 24-4-14

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publicado às 19:42

Cabine de leitura

por Carla Hilário Quevedo, em 29.04.14
App InstaWeather sem filtro

 

É hábito em Portugal elogiarmos tudo o que vem de fora, mas não é habitual adaptarmos o que se faz de muito bom no estrangeiro no nosso país. Felizmente, há excepções e uma delas foi inaugurada esta semana na Praça de Londres, em Lisboa, quem sabe se como uma homenagem à ideia original britânica que deu origem à Cabine de Leitura que agora ali temos.

 

Tudo terá começado há cinco anos na pequena aldeia de Westbury-sub-Mendip, em Somerset, no sudoeste de Inglaterra. Com uma população de cerca de 800 pessoas, a aldeia acordou um dia com uma das cabines telefónicas classicamente encarnada transformada na mais pequena biblioteca do mundo, com cem livros disponíveis para qualquer pessoa requisitar. Os habitantes fizeram fila para requisitar e entregar os livros disponíveis, que variavam entre romances, biografias, livros infantis e de cozinha. A distância da biblioteca mais próxima e a falta da carrinha que costumava servir o local com os livros levaram a que se pensasse numa forma prática e barata de pôr os livros à disposição da população. A ideia era transformar as cabines telefónicas quase abandonadas em locais usados pela comunidade. Já que ninguém usava as cabines para telefonar, ao menos que as usassem para outros fins, tão comuns a todos como ler. Num país em que a leitura é estimulada desde muito cedo, não foi uma surpresa que a nova biblioteca tivesse sido um sucesso. O êxito foi  repetido nas restantes povoações até chegar às cidades, como Londres.

 

A Cabine de Leitura (https://www.facebook.com/cabineleitura?fref=ts) inaugurada esta semana em Lisboa não tem o mesmo horário generoso de abertura do que a da seguramente tranquila Westbury-sub-Mendip, aberta 24 horas por dia, 365 dias por ano, iluminada durante a noite. A localização da minibiblioteca em plena Praça de Londres obriga a um horário mais restrito, das 9h às 20h, de segunda a sábado. O seu funcionamento parece no entanto muito similar. Várias editoras, fundações e particulares doaram livros para o arranque da minibiblioteca. Mas as doações devem continuar para assegurar a rotação dos livros e a variedade. Sempre que se leva um livro, deixa-se outro e seguem-se as regras de deixar o nome, um contacto e o nome do livro no caderno de registos, como numa biblioteca. Há um outro caderno, desta vez de sugestões, onde podem ser deixadas propostas e comentários acerca do funcionamento na nova minibiblioteca. A iniciativa é divertida e optimista. Pretende aliciar as pessoas para a leitura através de uma participação activa na comunidade, o que as une da melhor forma em torno de um interesse comum.

 

A leitura não faz de uma má pessoa alguém em que se possa confiar. Não traz, neste sentido, mudanças morais. Mas tem o poder fundamental de não haver nada que interfira naquele instante em que estamos a sós com um livro. Ser capaz de fazer isto é poder ser independente como ninguém. E é nisto que penso quando se diz que “a leitura melhora as pessoas”. Sim, é verdade. Melhora porque cria um hábito de autonomia de pensamento. Um hábito de liberdade. 

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 26/27-4-14

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publicado às 19:08

Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 28.04.14

Rembrandt van Rijn, Aristóteles com um busto de Homero, 1653

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publicado às 18:48

Vasco Graça Moura (1942-2014)

por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.14

Termino com uma tradução de um poema de Konstandinos Kaváfis também da autoria de Vasco Graça Moura, que, na altura, teve uma função apaziguadora numa discussão em que só faltou arrancar olhos... Sim, por causa de uma tradução. Ah, bons tempos blogosféricos. Desta vez, Vasco Graça Moura ofereceu o poema traduzido ao bomba inteligente e não ao Abrupto. There! Grata, sempre.

 

Mar da manhã

de Konstandinos Kaváfis

Deter-me aqui. E olhar um pouco a natureza.
Mar da manhã e um céu sem nuvens,
brilhar do azul e orla amarela; e tudo
belo, grande, iluminado.

Deter-me aqui. E iludir-me a ver isto
(sim, por instantes o vi, quando aqui parei)
e não, também aqui, meus devaneios,
recordações, imagens do prazer. 

Tradução de Vasco Graça Moura

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publicado às 20:12

Vasco Graça Moura (1942-2014)

por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.14

O tango Amablemente, que aqui pus a tocar, apesar dos constrangimentos nos links na época, também agradou a Vasco Graça Moura, que o traduziu. A tradução foi também publicada no Abrupto e aqui fica:

 

Amavelmente 

de Iván Diez

Foi achá-la na pista e noutros braços... 
Mas, já batido e sem escabrear-se, 
rosnou ao passarão: "Pode raspar-se, 
que o homem não tem culpa nestes passos." 

E após ficar a sós com a garina, 
as sapatilhas pede e, pronto, nisto 
lhe diz como se nada houvesse visto: 
"vai tratar-me do mate, Catarina". 

A fulana lá vai e se acagaça, 
e o mânfio, saboreia uma fumaça, 
e segue-a com graçolas excitadas... 

E logo, a beijocar-lhe a testa, rente, 
muito tranquilo, muito amavelmente, 
coseu-a a trinta e quatro punhaladas.  

 

Tradução de Vasco Graça Moura

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publicado às 19:55

Vasco Graça Moura (1942-2014)

por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.14

Há quase 11 anos,  lancei esta ideia descarada sobre a autoria de O Meu Pipi. Para negar o boato entretanto disseminado, Vasco Graça Moura reagiu com umas belas décimas de refutação, que depois foram incluídas no livro. Foram publicadas no Abrupto, e aqui estão elas:

 

décimas de refutação

já num blogue o meu pipi?
de um pipi, que caso estranho...
eu vou ali e já venho:
dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

É forçoso que eu desminta
com vigor essa atoarda:
por muito usar a espingarda
e por gastar muita tinta,
não se espere que consinta
na falsidade que li
e me ofende o pedigree:
garanto que não fui eu
o brejeiro que meteu
já num blogue o meu pipi.

quer-se o pipi bem guardado
para uso pessoal:
nestas coisas afinal
deve ser-se recatado.
demais, quem seja versado
nos tiques do meu engenho,
das prosódias que eu amanho
já saberia de cor
que eu faria bem melhor
de um pipi... que caso estranho!

nem da lira tiraria
maior glória do instrumento
quando ao pipi acrescento
a minha morfologia.
e decerto não cabia
num blogue assim o tamanho
do lenho ardendo no lanho.
pipilar pipis na liça
muito enguiça e pouco atiça...
eu vou ali e já venho...

o que é de césar, quem jogue
assim a césar o dê
e se entender o porquê
deixe então que eu desafogue:
que não pus pipi no blogue
nem pus blogue no pipi:
ri melhor quem no fim ri
por redondilha ou quiasmo,
ou por música de orgasmo:
dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

Vasco Graça Moura

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publicado às 19:30

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.14
Sophia Loren

 

... está um dia lindo, com um perfume tão intenso a flores, que se pode tornar um filme de terror.

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publicado às 10:58

O marido

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.14

Dizem que não há nada melhor para se conhecer um homem do que olhar para a sua mulher. A vida não é assim tão óbvia, mas um estudo recente da Universidade de Chicago diz que o principal responsável pela longevidade do casamento é o homem. Os resultados foram publicados no Journal of Marriage and Family e esclarecem que se o marido é um chato depressivo e neurótico, os casamentos são mais conflituosos e, por consequência, mais breves. Recordo que são as mulheres que mais iniciam os processos de divórcio. Não é por acaso que nos inquéritos a mulheres sobre o que mais privilegiam num homem elas em geral respondam que é o 'sentido de humor'. Penso que não é bem o sentido de humor que procuram, mas uma atitude mais leve e bem disposta perante a vida. A boa disposição está por sua vez associada à gentileza, à atenção e a outras características sexy do mesmo grupo que constituem um homem irresistível. Sou pessoa para simpatizar com esta ideia.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 17-4-14

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publicado às 17:07

Sábado à noite

por Carla Hilário Quevedo, em 23.04.14

Nem todas as séries de que gosto são épicas, retorcidas ou de humor original. No TV Séries estão a transmitir uma comédia que parece infantil. Chama-se Brooklyn Nine-Nine. As personagens são estereótipos das séries policiais: dois polícias velhos e gordos que não fazem nada, uma detective eficiente que nunca sorri, outro detective honesto, solidário, mas com problemas de auto-estima. As personagens principais são o detective Jake Peralta (Andy Samberg) e o capitão Ray Holt (Andre Braugher), o seu chefe. O primeiro é, de uma perspectiva caricatural, um excelente profissional, mas vaidoso, indisciplinado, desadequado e inoportuno. O chefe é obviamente a personagem sensata. Como Ray Holt é um homossexual assumido, casado com um homem, teve problemas na sua carreira e demorou a ganhar o respeito dos seus pares. O humor é simples e directo e, como é habitual agora em televisão, cheio de referências a pessoas e acontecimentos reais. 100% refrescante.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 17-4-14

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publicado às 16:49

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