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Fargo

por Carla Hilário Quevedo, em 16.05.14

O aviso surge ao início: a história contada baseou-se em factos reais e só os nomes das vítimas foram alterados por respeito à família. Um homem com uma franjinha parecida com a que teria Júlio César e com a fúria homicida de Anton Chigurh, personagem criada por Cormac McCarthy e imortalizada por Ethan e Joel Coen, no filme No Country For Old Men, aparece numa cidadezinha no Minnesota. Mas foi outro filme dos irmãos Coen, Fargo, de 1996, que serviu de base à actual série homónima que estreou na semana passada entre nós. Billy Bob Thorton é o diabólico Lorne Malvo, que chega a Bemidji e modifica a sua vida superficialmente pacata. Começa por Lester Nygaard, representado pelo excelente actor Martin Freeman, um vendedor de seguros vexado, ofendido, derrotado, à espera da voz de um assassino para viver. E ela aparece, na sala de espera de um hospital. O trilho de crimes, a maldade, a facilidade, são assuntos a descobrir aos domingos à noite.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-5-14

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publicado às 19:46

Podes crer

por Carla Hilário Quevedo, em 16.05.14

O Telegraph noticiou um estudo que comprova que podemos ter stress quando vemos televisão. Os pormenores do trabalho científico que levou a esta conclusão são irrelevantes. Nunca duvidei. Quem viu o nono episódio da terceira temporada de A Guerra dos Tronos, mais conhecido por Red Wedding, sabe do que falo. O medo e a surpresa da crueldade provocam choques incontroláveis, quer na ficção quer na vida real. As imagens dos estudantes coreanos a brincar nos camarotes, sem se aperceberem da tragédia à espreita, são também exemplo disto. O vídeo amador era uma verdade, que, apesar da filmagem, não ficcionava, quero dizer, não se distanciava do horror. Podemos pensar que a ficção tem menos peso na nossa sensibilidade, mas estaremos a mentir a nós mesmos. Muitos escritores não tiveram piedade dos nossos corações. Mas às vezes ficamos envergonhados. Por exemplo, lembro-me de Jack Bauer e da série 24, e de me sentir como se tivesse saído de uma aula de zumba.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 9-5-14

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publicado às 19:43