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A teoria do arroz

por Carla Hilário Quevedo, em 23.05.14

Thomas Talhelm viveu na China, estuda na Universidade da Virgínia e está a desenvolver a teoria do arroz. Talhelm acha que encontrou a explicação para os chineses a norte do rio Yangtze serem mais individualistas do que os que vivem a sul. A explicação está respectivamente nas culturas de trigo e arroz. O arroz parece desenvolver uma interdependência entre a população da qual os agricultores trigueiros não precisam. Gosto do nome da teoria, mas parece muito simplista. Lembra aqueles filmes do faroeste em que os ganadeiros, mais agressivos, atacavam criadores de ovelhas, mais pachorrentos, e em que ambos hostilizavam os agricultores, mais sedentários, a viver com as famílias. Acredito que as actividades humanas possam moldar as pessoas, mas penso que há várias explicações para isso e não uma só resposta. Pelo menos até que alguém escreva um Romeu e Julieta com uma arrozeira sulista e um colectivista romântico do norte cujas famílias se odeiam.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-5-14

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publicado às 19:59

Até que enfim

por Carla Hilário Quevedo, em 23.05.14

Na Universidade do Michigan, concluíram que a actividade mental presente em resolver quebra-cabeças e actividades do género faz bem ao cérebro. Até aqui nada de novo. A novidade foi outra experiência. Foi pedido a um grupo de pessoas que conversasse em vez de se dedicar a Sudokus. Os dois grupos foram submetidos a testes cognitivos e o resultado foi o mesmo. Tanto uma actividade como a outra provocaram estímulos e progressos na actividade cerebral. Conversar é intelectualmente tão benéfico como resolver problemas que exigem concentração. Desenvolver as aptidões sociais é uma excelente ginástica cerebral. A ciência é uma forma de descobrir novas expectativas. Mas também pode ser apenas uma maneira de confirmar certezas antigas, muitas consideradas como ociosamente naturais. Não foi a Grécia Antiga que gabou a actividade de conversar? E antes dela, as discussões interpretativas teológicas e práticas dos judeus não fizeram deles o povo do Livro?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 16-5-14

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publicado às 19:54