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E vivam em paz

por Carla Hilário Quevedo, em 05.06.14

O Patriarca de Jerusalém, o Arcebispo Fouad Twal, aconselhou os observadores da visita do Papa à Terra Santa a darem mais atenção aos gestos do que às palavras. A comitiva de Francisco era já um manifesto. Foi acompanhado pelo rabino de Buenos Aires, Abraham Skorka, e pelo professor Omar Abboud, presidente do Instituto do Diálogo Inter-religioso da capital argentina. Em Jerusalém, o Papa esteve no Muro das Lamentações, mas também se deteve no muro de separação construído pelos israelitas como medida de segurança. No seu encontro com Muhammad Ahmad Hussein, o Grão Mufti de Jerusalém, exortou que ninguém usasse o nome de Deus para justificar a violência e depositou, acto inédito na história das visitas papais a Israel, uma coroa de flores na tumba de Theodor Herzl, fundador do sionismo. A posição do Papa Francisco é simples. As comunidades têm direito a viver naquele sítio, a terem estados separados e ambas têm a obrigação de se entenderem. E pronto. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-5-14

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publicado às 18:17

Parte do problema

por Carla Hilário Quevedo, em 05.06.14

Os resultados em Portugal das eleições europeias deram indicadores a respeito do que os eleitores não querem. Os números são claros: 66,1% de abstenção e 7,4% de votos brancos e nulos perfazem um total de 73,5% do eleitorado que recusa o sistema. PS, PSD e CDS podem andar entretidos com as suas percentagens medíocres, uns a cantar uma vitória embaraçosa e os outros a esperar que as coisas melhorem “um bocadinho”, para ver se se salvam. As pessoas mostraram que não estão interessadas em ninguém. Nem em Marinho Pinto, um Fernando Nobre revisitado. Não estão interessadas em ninguém e não querem eleger os seus representantes desta forma. Urge discutir a mudança da lei eleitoral e a forma de votarmos em quem nos representa. Façam-no já e talvez recuperem o interesse perdido dos eleitores desgastados por tantos que se dedicam a representar os seus próprios interesses. São parte do problema, mas ainda poderão ir a tempo de fazer parte da solução. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-5-14

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publicado às 18:15

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 05.06.14

 Lizzy Caplan

 

... já dizia o Stephen King que all work and no play makes Jack a dull boy. Isto anda um bocadinho mais lento, mas as causas são boas. Só posso dizer que o último episódio de Game of Thrones me fez impressão. Tapei os olhos naquela cena e não gostei especialmente do diálogo sobre o primo que matava escaravelhos à pedrada. Yeah, but, no, but, nas palavras imortais de Vicky Pollard. Sou uma espectadora super-exigente. Quase tudo me aborrece, à excepção de Fargo. Vejo os episódios duas vezes, uma no dia, a outra no dia seguinte e fico a pensar neles, com vontade de ver algumas cenas outra vez. Há dias fui ver que vida tinha o Billy Bob Thornton e percebi que foi casado cinco vezes, a última com Angelina Jolie. Não é que tenha de ser muito inteligente para fazer um papel como o do diabólico Lorne Malvo, mas há uma inteligência em perceber que ser casado com uma mulher excepcional é o máximo a que um homem pode aspirar na sua vida amorosa. Se não resulta com aquela, então basta. Sempre gostei do Billy Bob Thornton, que é um vilão louco em Fargo. Diz coisas como: "Os romanos, que foram criados por lobos, vêem um tipo a transformar água em vinho e devoram-no. Não há santos no reino animal. Só pequeno-almoço e jantar." O atractivo da maldade é a sua simplicidade: é tudo tão fácil.

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publicado às 08:26