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Lago dos Tubarões

por Carla Hilário Quevedo, em 14.07.14
App CameraBag com filtro Italiano

 

A notícia de que o programa Shark Tank, actualmente transmitido pela SIC Radical, em antena nos Estados Unidos desde 2009, poderá ter uma versão portuguesa, a estrear na SIC em 2015, foi recebida com ironia por espectadores exigentes no Twitter. A desconfiança inicial com a adaptação de um programa norte-americano de imenso sucesso, baseado na ideia simples de apresentar projectos de negócio a potenciais investidores e persuadi-los a desembolsar uma parte do seu capital em troca de uma participação na empresa, resulta numa certa percepção da realidade portuguesa. Portugal não é um país com tradição na iniciativa privada e se formos tomar o desaparecido de cena Miguel “bater punho” Gonçalves como exemplo do empreendedorismo lusitano, percebemos as piadas em torno do Lago dos Tubarões.

 

Esta falta de tradição de empreendedorismo, no sentido adulto da palavra, resulta também da falta de necessidade de pensar de uma certa forma a respeito do se quer para si próprio. Ideias antigas de ter um emprego para a vida, na função pública, com estabilidade e segurança, garantido na sequência de uma licenciatura, com uma reforma razoável, terão tido uma influência marcante neste nosso deserto de iniciativa privada. O Estado continua, aliás, a ser empregador ou cliente na maioria dos casos, e quando não o é está entranhado na mentalidade de muitas empresas em Portugal, no modo como são geridas, como decidem e na maneira como funcionam. As excepções são ainda infelizmente isso mesmo, excepções, mesmo num contexto de risco, em que uns perdem e outros ganham por variadíssimas razões.

 

Vejo a notícia sobre um Lago dos Tubarões português com optimismo. Acho graça quando sugerem no Twitter que o título poderia ser “Alguidar das Lulas” ou “Piscina dos Robalos”, mas ao mesmo tempo imagino um programa acima de tudo didáctico, em que se pode aprender muito sobre boas ideias inúteis, boas ideias concretizáveis, más ideias que parecem boas, boas e más práticas de qualquer negócio, o que se espera de um empreendedor, o que é um investidor de risco, o que pode ser o caso de “uma ideia com potencial”. É certo de estamos a falar de um formato híbrido de reality show e concurso; ou seja, de um programa de entretenimento. Acontece assim nos Estados Unidos, um sítio onde é possível defender o direito a porte de arma, “porque se paga impostos”. O exemplo serve apenas sublinhar que aquilo que é comum para um americano, por uma questão de tradição, história, educação, espaço e oportunidades, está longe de o ser para, por exemplo, um português. O Shark Tank é programa de entretenimento nos Estados Unidos. Em Portugal, dada a sua tradição de desconfiança sobre tudo o que é privado, é serviço público e, como tal, tenho pena que não seja transmitido na RTP.

 

Resta agora saber quem serão os investidores convidados e que tipo de empreendedores vão ser seleccionados para aparecer. Muito do sucesso do programa em Portugal depende da escolha dos intervenientes. Como acontece, aliás, na grande maioria dos casos de sucesso. 

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 12/13-7-14.

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publicado às 19:57

Mundial no Twitter

por Carla Hilário Quevedo, em 14.07.14

Liniers no La Nación.

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publicado às 19:47

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 14.07.14
Sophia Loren, bem acompanhada

 

... abraça hoje o teu lado português e chora o dia todo, querido.

- Achas?

- Tens direito. Até aproveito e choro contigo.

- Só a manhã.

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publicado às 09:09