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Absorvidos

por Carla Hilário Quevedo, em 22.07.14

António Costa disse há dias em Coimbra que «aquilo que nós temos a mais não são licenciados; aquilo que temos a menos são empregos qualificados capazes de absorver». Nunca percebo muito bem a linguagem dos políticos, que oscila entre a declaração, a queixa e a expressão de uma vontade, por isso gostaria que Costa esclarecesse a sua ideia de solução para um problema importante. Ninguém duvida que o desemprego, sobretudo o de longa duração, é um dos problemas mais sérios que o país enfrenta. Mas a solução deixou de poder ser dada pelo Estado, pelo menos na medida em que tem sido dada até hoje. A palavra que faz soar alarmes é aquele ‘absorver’. Absorver onde? Nas empresas privadas, a grande maioria afogada em impostos e taxas? Não creio que fosse essa a preocupação do candidato socialista a candidato. Estará a pensar de novo no Estado como o principal empregador em Portugal? Se for esse o plano, estaremos perante uma nova catástrofe em breve. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 18-7-14

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publicado às 19:25

Erro grave

por Carla Hilário Quevedo, em 22.07.14

A ideia de que o ensino superior não é útil na hora de arranjar um emprego parece estar a ganhar mais adeptos. A ideia é falsa e não precisamos de fazer nenhum estudo para o comprovar. Não só a educação superior é útil como cada vez mais se tornará essencial num mundo mais competitivo e com menos emprego. Parece contraditório, mas não é. O decréscimo (necessário) de emprego no Estado criará a necessidade de cada um encontrar um rumo na vida, que nada terá que ver com aquele que tomaram muitos dos nossos pais. Sem uma sólida formação teórica, que só se consegue através do estudo, sem saber distinguir frases certas e erradas, resolver problemas matemáticos, compreender o modo de funcionamento de uma máquina ou o plano de uma casa, as alternativas profissionais serão mais reduzidas e menos atractivas. Ninguém está livre de ser enganado e há excepções, mas a educação superior é um meio do qual cada vez menos nos podemos dar ao luxo de prescindir.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 18-7-14

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publicado às 19:23