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Mistérios estivais

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.14

Por motivos meteorológicos, este ano não tem acontecido tantas vezes chegar à praia mais ou menos vazia, estender a toalha e daí a dez ou quinze minutos ter uma série de vizinhos barulhentos à volta. Como sabemos, as temperaturas têm estado ou bastante  tímidas ou muito altas, o que faz com que ninguém vá às praias vazias porque está frio ou que todos se dirijam para lá porque está um calor de morrer. Mas voltemos ao problema estival. Uma praia quase vazia. Estendemos a toalha. Não há ninguém à nossa volta, só um chapelinho de sol azul à distância de uns 50 metros ou mais. Respiramos o ar puro. Passados uns minutos temos três famílias à nossa volta com toda a gente aos berros mais os cães. Como é que isto aconteceu? Olhamos para o chapelinho de sol azul à distância e o que vemos? O mesmo cerco infernal. Na praia são raros os que aproveitam o vazio para estender a toalhinha. Por que será? Precisaremos assim tanto da companhia uns dos outros?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-7-14

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publicado às 18:51

Dar à costa

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.14

Nem todos os acontecimentos que nos pareciam impossíveis até acontecerem são horríveis como o desaparecimento de um avião comercial ou o abate de outro por um míssil. É o caso do estranho aparecimento de milhões de peças de Lego nas praias da Cornualha. Em 1997, o navio Tokio Express foi atingido por uma onda de proporções gigantescas e 62 dos contentores que carregava caíram para o mar. Num desses contentores seguiam 4,8 milhões de peças de Lego em direcção a Nova Iorque. Nada mais se soube dos restantes contentores mas quase 20 anos após o sucedido, ainda há pecinhas de Lego a aparecer naquela zona e é possível que, por fenómenos de vagas e marés que me escapam, continuem a aparecer por muitas mais décadas. Há uma página de Facebook para quem as coleccione: Lego Lost At Sea. O fenómeno traz dois ensinamentos. Primeiro, confirma-se que o plástico não é reciclável de maneira nenhuma e segundo, nada parece ficar para sempre debaixo do mar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-7-14

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publicado às 18:48

Trabalho e conhaque

por Carla Hilário Quevedo, em 29.07.14

Sabemos que a boa disposição no trabalho é um triunfo para quem trabalha, para quem manda trabalhar e para quem usufrui do trabalho feito. No entanto, predominam os ambientes de trabalho taciturnos e formais com pessoas mal-humoradas, stressadas ou rancorosas com a vida. O meu conselho é: fujam delas. Ou contem as últimas conclusões dos psicólogos. Leon Neyfakh conta no Boston Globe que galhofa e galhofeiros estão a dar no primeiro mundo. As pessoas brincalhonas e mesmo as brincadeiras no horário de trabalho só fazem bem. Os estudos cada vez mais numerosos nos Estados Unidos e na Suíça concluem que, tal como as crianças brincam e aprendem, os adultos devem brincar e trabalhar. Está provado que desta maneira lidam melhor com o stress. Já se sabe isto há muito tempo. No início do século passado liam romances de aventuras aos enroladores de tabaco em Cuba. E até a INATEL se chamava Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT).

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-7-14

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publicado às 18:45