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Caso prático

por Carla Hilário Quevedo, em 06.08.14

A mulher vai de férias com o resto da família e o marido fica em casa sozinho. Nos primeiros dias está delirante com o silêncio e a liberdade, mas ao terceiro dia resolve ligar à mulher. ‘Olha lá, preciso de companhia, porque as noites são um bocado longas e aborreço-me a ver televisão sozinho’, queixa-se o marido. ‘Ó homem, lê um livro’, resolve a mulher. ‘Tu sabes que só leio à tarde, meu doce, mas depois à noite apetece-me ver televisão e fazes-me falta para interromperes as melhores cenas...’. O silêncio surge como resposta até que o marido sugere: ‘E se ligasse para uma rapariga que diz que vem a casa ver televisão com as pessoas?’. ‘Tu sabes o que penso sobre a prostituição, amor’. ‘Querida, não é uma prostituta! A Samantha só vem ver televisão comigo e pago-lhe à hora’. ‘Hmmm...’, responde a mulher, ponderada. ‘Se me prometeres que não vês Breaking Bad com a rapariga, nem Masters of Sex, nem The Wire... Tudo depende da programação’.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 1-8-14

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publicado às 18:45

Profissão: enroscadora

por Carla Hilário Quevedo, em 06.08.14

Através de um artigo no Business Insider, cheguei ao website de Samantha Hess, cuddleuptome.com. Sam tem 30 anos, uma licenciatura em Desporto e teve uma ideia genial para um negócio. Por 60 dólares por hora, Sam vai a casa, fica a ver televisão consigo de mão dada no sofá, deita-se e enrosca-se consigo na cama, abraça-o e sorri. Sam é toda ela positiva e optimista, diz que adora pessoas e só quer ajudar. A ajuda vem na forma de um serviço que não inclui sexo, só companhia, e custa, bem, os tais 60 dólares à hora. Almas modernas estão neste momento a agitar a cabeça em sinal de aprovação, ao contrário das antigas, que olham para este ‘serviço’’ como mais uma poção mágica para fazer crescer o cabelo. Não há diferença entre o vendedor da banha da cobra ou a enroscadora profissional, que ganha a vida a fingir intimidade, a vender uma tranquilidade doméstica que não é um serviço. É mais do que dama de companhia e menos do que prostituta. Será o quê?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 1-8-14

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publicado às 18:45