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Razões

por Carla Hilário Quevedo, em 27.08.14

O suicídio do comediante Robin Williams deu origem a uma espiral de alegações nunca antes vista. Nas 48 horas a seguir à sua morte, foram publicados centenas de artigos sobre o sucedido. Em quase todos foi desenvolvida a teoria da relação entre humor e depressão. Ficámos a saber que o humorista é um deprimido disfarçado e que o riso é afinal uma maneira de lidar com a dura realidade. Ai sim? Permitam-me que boceje perante uma explicação que depende apenas de uma opinião pouco favorável e nada esclarecida sobre a actividade humorística. Há humoristas deprimidos como há metalúrgicos, mães ou milionários. Robin Williams era um monstro de talento. Essa, sim, é uma diferença importante. A depressão não escolhe profissão. É uma doença grave e será, em parte, responsável pelo fim de um actor amado. Mas nem todas as depressões terminam deste modo, por isso nem mesmo a doença é explicação suficiente. Nunca sabemos por que alguém se suicida. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-8-14

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publicado às 19:08