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Islão para Totós

por Carla Hilário Quevedo, em 02.09.14

No momento em que escrevo, presumem que o assassino de James Foley é o rapper Abdel Majed Abdel Bary, conhecido por L Jinny. As suspeitas não se baseiam em nada de conclusivo: canhoto, voz, sotaque, olhos, altura. Há, no entanto, um atractivo jornalístico. Trata-se do filho de Abdel Abdel Bary, cúmplice de Ayman al-Zawahiri, líder da al-Qaeda que está preso nos Estados Unidos. Por mim, é mais que suficiente para lhe dedicar um drone, mas essa é outra questão. De todos os aspectos da selvajaria do Estado Islâmico, faz-me confusão a existência destes novos homicidas educados na Europa que encontram um sentido para a vida no terrorismo. Uma coisa é regressar a uma tradição ancestral, outra é procurar uma desculpa para matar. Christopher Dickey conta no Daily Beast que dois jihadistas de Birmingham foram detidos quando voltavam da Síria. No interrogatório admitiram que tinham aprendido tudo o que sabiam sobre o Corão no livro Islão para Totós.   

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-8-14 

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publicado às 19:25

Eu disse-te

por Carla Hilário Quevedo, em 02.09.14

Embora nunca tenha comprado uma obra do Hogarth, sei que nunca o faria no ebay. Pensava que a desconfiança era um bocado saloia da minha parte, mas vim a saber pelo Daily Beast que sem querer fiz bem em não gastar o dinheiro que não tinha no quadro que não comprei. O ebay é um paraíso para os falsificadores de arte, não tanto pelos vendedores mas por causa dos clientes. A maioria acredita que pode encontrar um vendedor que não saiba o que está a vender, quer por ignorância quer por ter encontrado um Picasso no sótão da tia. O comprador compra o Picasso com um certificado de autenticidade. Depois percebe que é tudo falso: o quadro e o certificado. Alguns compradores não se convencem disto e, pronto, têm “um Picasso” na parede. Outros, na mesma situação, ficam caladinhos e tornam a vender a falsificação para equilibrarem as contas. A felicidade deles é a desgraça para as galerias, os artistas, os herdeiros e a história da arte. Bem me parecia.   

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-8-14

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publicado às 19:22