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Voar low-cost

por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.14

Loja de Porcelana CHQ 1-11-14

App PictureShow com filtro BluePlastic e moldura Convex Blur

 

As viagens de avião mudaram imenso ao longo dos anos. A mudança trouxe mais companhias aéreas, outros passageiros, preços baixos e, a acompanhar, uma total falta de glamour que fazia parte do nosso imaginário de aeroporto.

 

O low-cost não quer saber do metro de oitenta de hospedeiras irrepreensivelmente maquilhadas, penteadas e fardadas. Não quer comissários de bordo perfeitos como o Ken. Não está interessado em clientes com bagagem Louis Vuitton, a menos que as malas sejam pesadas para irem no porão. O valor de cada quilo de bagagem é bastante superior ao valor de cada quilo do passageiro, o que faz de uma mala de vinte quilos quase mais um bilhete de avião. Os luxos, como não levar a mala para a selva em que se transforma aquele momento em que é preciso estender os bracinhos e, upa, lá vai a mala para o compartimento por cima dos assentos, é de aflição e angústia. Há lugar para todas as bagagens, uma para cada um, mas a verdade é que não parece. Quem está mais atrás na fila para embarcar arrisca a não ter lugar para pôr a mala mesmo por cima da sua cabeça, o que causa um grande mal estar no passageiro, como se a separação momentânea dos seus pertences, apesar de estarem próximos, entretanto relegados lá para trás, fosse motivo da maior desconfiança. Perder de vista o que é nosso é um drama que experimentamos desde crianças e que pode ser observado nos minutos angustiantes que antecedem a partida do avião numa companhia low-cost.

 

A minha primeira experiência na Ryanair, uma destas companhias, decorreu sem incidentes, e não quero repetir. Correu tudo bem, mas não, obrigada. Começa com o avião a chegar meia hora antes da partida, tudo para poupar no tempo de permanência no aeroporto. Ninguém sabe qual é o “gate” para entrar a bordo até ao preciso momento da sua abertura. O resultado deste mistério é termos uma sala com muito poucos assentos a abarrotar de gente ansiosa e de pé a olhar para um ecrã. Quando abre o “gate”, a multidão dirige-se para o sítio indicado. O aviso no bilhete é claríssimo quanto à hora limite de embarque. Tem uma certa graça ver os passageiros em fila indiana, a andarem a pé para o avião com a mala, como se estivessem a entrar numa camioneta. É certo que é uma graça deprimente, que nos reporta para um mundo de plástico, uma mistura de IKEA, H&M e McDonald’s, embora pago a peso de ouro.

 

Os bilhetes muito baratos implicam um pagamento absurdo por tudo o que seja extra. Quer beber água? São 3€. Quer comer uma refeição quente, daquelas tão saborosas de avião? São 6€. Prefere uma sanduíche? São 4,50€. Quer ir à casa de banho? Aqui não foi possível cobrar quando se falou tanto disso, mas a ideia de que era muitíssimo barato viajar nestas companhias ganhou força pelo absurdo da proposta.

 

Num próximo golpe publicitário, sugiro que anunciem o pagamento de uma taxa para uso das máscaras de oxigénio (1€), para acender a luz de leitura (2€), para uso do ar condicionado (3€). Já para chamar as hospedeiras, 5€. É um serviço de luxo ter ali uma pessoa a responder a uma pergunta nossa.

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 1/2-11-14 

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publicado às 19:49

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 02.11.14

Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu? (simpático, mas sê-lo-ia ainda mais se tivesse menos 25 minutos).

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publicado às 19:45