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The Affair

por Carla Hilário Quevedo, em 12.11.14

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A estreia da série televisiva The Affair anima quem sente falta de Masters of Sex. A história é contada de maneira original. Alison Lockhart (Ruth Wilson), empregada de mesa num café nos Hamptons, casada, a recuperar da morte do filho, e Noel Solloway (Dominic West), professor e escritor, casado, com quatro filhos, que está a passar férias em casa dos sogros, contam o seu caso amoroso no que parece ser um interrogatório de Polícia na sequência de um crime. Parece ter passado algum tempo desde que Alison e Noel se conheceram, alguém morreu atropelado, não sabemos quem. Esta é a informação que temos do presente. O passado vai sendo construído nos testemunhos de cada um. A história é contada duas vezes e, claro, tem diferenças. Ambos pensam que foi o outro que começou, mas Alison imagina-se sempre de cabelo apanhado, com pior aspecto, menos à vontade do que Noel a imagina, confiante e de cabelo solto. Quem escolherá melhor as suas lembranças?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-11-14

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publicado às 19:47

Melhorou muito

por Carla Hilário Quevedo, em 12.11.14

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O mundo virtual ficou nervoso e estupefacto com a aparição da actriz Renée Zellweger numa entrega de prémios em Hollywood. O motivo da agitação - como se nestes dias parvos tivesse de haver um motivo especial para expressar surpresa - foi a aparência da ex-Bridget Jones. O escândalo de ter feito uma cirurgia plástica que lhe modificou a expressão foi objecto de análise desagradável. O mundo que Zellweger quer agradar retribuiu o seu esforço generoso de ter uma aparência não enrugada com uma sucessão de comentários misóginos. Razão teve Brigitte Bardot quando se esteve nas tintas para o que o mundo pudesse achar das suas rugas. Mas cada mulher decide como quer. E Renée Zellweger escolheu fazer o que entendeu ser melhor para si. Pelo que vi e comparando inevitavelmente com a cara que tinha, de menina à beira de um ataque de lágrimas, afirmo com agrado que Zellweger melhorou muito. Tem por fim os olhos abertos. Agora sim: tem cara de mulher.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-11-14

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publicado às 19:39

Tim Cook é alto

por Carla Hilário Quevedo, em 12.11.14

O CEO da Apple, Tim Cook, declarou há dias que tem "orgulho em ser gay". O anúncio da sua orientação sexual tem certamente importância na comunidade homossexual. Não questiono a necessidade nem a decisão de expor a mesma, embora lamente que ainda hoje seja necessário anunciar ao mundo que se é como se nasceu. O que estranho é o 'orgulho' que declara em ser o que não escolheu. Mas talvez a minha estranheza tenha que ver com uma certa 'norma'. Ninguém se mete com ninguém por ser heterossexual e talvez daqui surja o 'orgulho gay, que funciona mais como uma declaração de identidade contra a homofobia presente e latente do que como uma emoção que não parece fazer sentido. Seria como alguém dizer que tem orgulho de ser homem ou mulher, de ser branca, ter olhos verdes e mãos delicadas. É inútil e arrogante, na medida que não escolhemos nenhuma destas características. É, aliás, tão estranho como 'ter orgulho' do sítio onde nascemos.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 7-11-14

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publicado às 19:36