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A psicopata

por Carla Hilário Quevedo, em 26.11.14

Gone Girl

A História não nos deu mulheres que matam como homens. Há poucas assassinas em série e poucas psicopatas. Várias foram descritas como perversas mas quantas terão tido o proveito? Em Parte Incerta, de David Fincher, explora a probabilidade de haver mulheres tão manipuladoras e narcísicas quanto homens e tão pouco inclinadas para sentir culpa. Amy Dunne, a convincente Rosamund Pike, descobre que o seu casamento com Nick, o excelente Ben Affleck, não é o que imaginava. Nick é afinal um homem desinteressante e previsível, que até arranjou uma amante com metade da idade dele. A descoberta leva Amy a pensar num plano para se livrar dele. Do plano fazem parte mentiras, incriminações e até simulações de violação, que mereceram censura por parte de movimentos feministas. Penso que não têm razão. Amy Dunne é diferente da maioria das heroínas no cinema e deste modo contribui para a ideia correcta de que as mulheres não são todas iguais.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-11-14

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publicado às 19:57

Hamm contra Hamm

por Carla Hilário Quevedo, em 26.11.14

O magnata do Oklahoma, Harold Hamm, foi instruído pelo tribunal a pagar um bilião de dólares à ex-mulher no acordo de divórcio. Sue Ann Hamm fez saber que não concorda com a decisão porque um bilião é pouco. Uma leitura mais atenta das notícias sobre o casal revela que as acções da empresa petrolífera Continental Resources passaram dos pouco mais de 50 milhões que valiam à data do casamento para perto de 20 biliões 26 anos depois (antes do divórcio). Cerca de seis por cento da fortuna é um valor considerado irrisório por vários advogados do país, que criticam a decisão do juiz Howard Haralson. As contas do juiz são pelo seu lado elogiosas para Sue Ann. Segundo argumentou, o 'capital conjugal', ou seja, o dinheiro ganho activamente por Harold durante o casamento, foi de 1,4 biliões de dólares. O resto é riqueza passiva e como tal propriedade exclusiva de quem pouco fez para a ganhar. Sue Ann fica com quase tudo. Mas se calhar é mesmo pouco.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-11-14     

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publicado às 19:53

Adão recuperado

por Carla Hilário Quevedo, em 26.11.14

Adão.jpg

Uma escultura de um Adão nu, datada de 1490, da autoria do italiano Tulio Lombardo, caiu no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, onde se encontrava. O pedestal cedeu, fazendo com que a peça que pesava cerca de 350 quilos se desfizesse em 28 pedaços grandes e centenas doutros mais pequenos. O desastre aconteceu em 2002 e foi descrito por Luke Syson, um dos curadores do museu como “uma das piores coisas que podia acontecer”. O restauro foi dado como uma causa perdida, mas  passados 12 anos, o Adão de Lombardi voltou a estar em exibição. Está intacto e só não está perfeito porque não se quis “apagar o que tinha acontecido”. Faz parte da história desta obra ter ficado estilhaçada e os conservadores não quiseram que esse momento ficasse esquecido. Por isso atrás dos joelhos, nas pernas, a estátuas tem imperfeições, cicatrizes de um acidente terrível. A equipa de conservadores trabalhou sem pressões nem compromissos. E fez um milagre.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-11-14

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publicado às 19:44