Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Adolescência online

por Carla Hilário Quevedo, em 30.11.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:36

What I need is a good defense

por Carla Hilário Quevedo, em 30.11.14

American Horror Story não é aconselhável a almas sensíveis. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:14

Duas mães

por Carla Hilário Quevedo, em 30.11.14

CHQ129.JPG

App InstaEffects com filtro Lucky sobre imagem de Reza Gul (à direita) e a sua nora, Seema

 

Não há nada como aproximarmo-nos de uma ninhada de cães ou gatos para percebermos do que é capaz uma mãe. Aprendi esta lição quando aos seis anos cometi a imprudência de me aproximar de uma série de gatinhos recém-nascidos que tinha aparecido na garagem ninguém sabia como. Estava muito contente a observar as crias de perto quando fui arranhada de alto a baixo pela mãe gata que não gostou da minha presença naquele instante íntimo. Falam muito de cães perigosos mas uma gata ameaçada não é para brincadeiras.

 

Também nós humanos somos animais, o que nos leva a compreender e a desculpar certos comportamentos que nos parecem irracionais. Acontece que somos animais racionais, tomamos decisões e somos responsáveis pelas decisões que tomamos, mesmo quando percebemos que foram erradas ou quando são impulsivas. É possível agir sem pensar, mas é raro dar bom resultado. Não defendo tentativas de assemelhar humanos a não humanos, sobretudo em situações de descontrolo, porque somos dotados de razão, o que faz diferença. O que nos é difícil é aceitar a nossa responsabilidade no erro.

 

Voltemos à mãe gata a agir em defesa dos gatinhos. O bicho fez o que não podia deixar de fazer. Não tinha escolha nem podia decidir. Há dias li uma notícia sobre uma mãe no Afeganistão que matou 25 talibãs e feriu outros cinco numa batalha com armas de fogo que durou sete horas. Reza Gul viu o filho a ser morto à sua frente numa terra infernal onde vale tudo. Ajudada pela filha e pela nora, a mãe moveu uma batalha sem tréguas aos assassinos do filho. As três mulheres armadas lutaram com coragem e o seu acto não é irracional. A escolha de não matarem quem tinha morto pertencia-lhes, e estas mulheres escolheram pegar em armas, por muito impulsivo que tenha sido o acto. Quem lhes pode levar a mal? Isto não significa que fora de um contexto de guerra, não tivessem de ser levadas à justiça para responderem pelo crime. Precisamente porque não são bichos ameaçados, por muita razão que tenham. Ceder neste ponto significa desistir da civilização.

 

Outra mãe apareceu nas notícias num caso de defesa de um filho. A mãe é Halle Berry e o filho é a filha de seis anos, Nahla. Halle Berry moveu uma acção contra o ex-companheiro, Gabriel Aubry, o pai da rapariga, por este ter alisado e aclarado o cabelo da filha, que é naturalmente encaracolado e escuro. Pessoas pouco sensíveis a questões de identidade e liberdade individual quando os assuntos dizem respeito a mulheres podem não compreender a atitude da mãe. Por mim, saúdo a decisão de Halle Berry de levar o caso a tribunal. Espero que não me levem a mal por dizer a verdade, mas não é comum ver uma mãe a defender uma filha quando se trata das suas características físicas.

 

Halle Berry argumentou que as alterações no cabelo podiam afectar psicologicamente a criança e levá-la a acreditar que não era bonita como era, afectando deste modo o seu amor próprio, levando a criança a rejeitar uma parte de si. Os seus argumentos foram aceites. Sabemos as consequências de uma rapariga crescer a não gostar de si, por isso é de saudar a decisão protectora desta mãe, por muito pouco razoável ou racional que possa parecer.

 

Publicado na edição de fim-de-semana do i, 29/30-11-14

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:43