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O diabólico e o moralista

por Carla Hilário Quevedo, em 23.12.14

A propósito das audições na comissão parlamentar para o caso do grupo e do banco Espírito Santo verificou-se uma vez mais a tendência irresistível de escolher bandos. Alguém associou a designação de banco mau e banco bom aos primos. O primo mau seria Salgado e o bom Ricciardi. Não vale a pena lembrar que a complexidade do tema faz dos factos em questão qualquer coisa que está próxima do incompreensível para nós, simples mortais. Só o pormenor de se falar de milhões de euros como quem fala do preço do pão nos confunde. Isto não impede as pessoas de terem uma opinião moral, de tirarem conclusões ou de fazerem teorias conspirativas. Na minha inocência, não acredito no carácter diabólico do primo mau nem na pureza paladina da verdade do primo bom. Infelizmente também não acredito na eficácia destas audições. Resta-me pedir ao verdadeiro Espírito Santo que ilumine e proteja a Justiça, a única alternativa que temos para nos livrar do Mal. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 19-12-14

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publicado às 19:34

Até o sol foi deus

por Carla Hilário Quevedo, em 23.12.14

Aconteceu com a Lista de Schindler, com o Exorcista ou com o Código Da Vinci. Não sendo mau nem bom, apenas oportunista e frívolo, entedia-me o desenterrar de teorias e opiniões a propósito de acontecimentos mediáticos. A propósito do filme Êxodo: Deuses e Reis, de Ridley Scott, o Washington Post apresentou uma explicação científica para a separação do Mar Vermelho, que salvou Moisés e o seu povo da perseguição das tropas do Faraó. Trata-se de uma explicação complexa e plausível baseada numa particularidade climatérica que pode ter tido aquele efeito salvífico. Já tinha ouvido dizer que o Mar Vermelho seria uma extensa floresta de juncos de águas rasas, o que seria uma explicação prática do milagre. Embora não seja fã de milagres também não me deixo seduzir pela omnisciência da ciência, se me permitem a expressão. Os milagres e os mitos são mais importantes por si próprios do que pela verdade histórica e científica das suas putativas origens. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 19-12-14

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publicado às 19:26