Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mulheres ao poder

por Carla Hilário Quevedo, em 27.01.15

IMG_6469.JPG

Na semana passada, vi no SOL uma fotografia interessante da Ministra da Administração Interna, na secção Cocktail. Nela, Anabela Rodrigues passava revista a uma formação de bombeiros em Torres Vedras. A imagem mostrava o seu perfil elegante, cabelo liso e mãos delicadas, de aspecto frágil e feminino, apesar da postura firme e concentrada. Olhei para a imagem com um estranho orgulho. É bom ver mulheres a assumir cargos tradicionalmente masculinos. Dá a ideia de que tudo mudou, o que pode bastar para o início real de uma mudança. Às vezes só é preciso gostar de ver para querermos continuar a ver. Neste caso, mulheres na liderança. Anabela Rodrigues tem quanto a mim uma vantagem: sorri pouco. É séria ou não quer agradar? Qualquer das hipóteses é bem-vinda e representa um corte com preconceitos a respeito de mulheres em cargos de poder. Ainda é cedo para sabermos se gosta da política como Maria Luís Albuquerque, mas a sua chegada é bem-vinda.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-1-15

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:34

Cartoon na contracapa

por Carla Hilário Quevedo, em 27.01.15

IMG_6471.JPG

Só recebi a edição do Charlie Hebdo depois de escrever este texto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:31

Ridículos e perigosos

por Carla Hilário Quevedo, em 27.01.15

IMG_6470.JPG

O escritor Paul Berman declarou que a capa do Charlie «foi o maior acontecimento jornalístico desde o 'J'acuse' de Zola. E o mais corajoso. Zola arriscava a prisão, a perseguição, mas não a morte». Berman  afirma que o desenho é «genial» e que a legenda «está tudo perdoado» é intrigante. Quem perdoa quem? O que se perdoa? As subtilezas não interessam num mundo em que os protestos violentos se repetem. É a mesma violência contra as caricaturas publicadas na Dinamarca. Muita boa gente acha no entanto normal que milhares de muçulmanos se sintam ofendidos. A desproporção entre os protestos violentos e a sua causa não é avaliada. Morrer pelas ideias é um conceito que aflige. Matar por elas é inaceitável. Agora, matar e morrer por cartoons não é mais que ridículo? Por que carga de água temos de respeitar uma tão perigosa susceptibilidade? Conquistámos a democracia, a liberdade e o respeito, que defendemos e merecemos. Não tenhamos vergonha de nós.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 23-1-15

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:19