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And the Oscar goes to...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.02.15

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... Rosamund 'Givenchy' Pike! Lindo de morrer! Logo seguida de Emma 'Elie Saab' StoneReese 'Tom Ford' Witherspoon e Luciana 'Jad Ghandor' Duvall. De resto, foi o borracho do Alejandro González Iñárritu, o medley cantado por Lady Gaga, a reacção de Meryl Streep ao discurso de Patricia Arquette e aquele momento em que o marido da Julianne Moore a acompanhou até à escada, bendito seja. 

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publicado às 19:53

O Óscar de Melhor Filme Estrangeiro...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.02.15

... não foi para Relatos Selvagens nem para Leviathan. Foi para Ida e bem. 

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publicado às 19:48

Partir para a violência

por Carla Hilário Quevedo, em 23.02.15

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App CameraBag com filtro Cinema

 

Tomar a atitude adequada à situação parece fácil mas não é. É, acima de tudo, algo que só podemos conhecer a posteriori. Reagirmos adequadamente às situações absurdas da vida é um desafio e não estou certa até que ponto estamos cá para isso. Para nos controlarmos, digo. Para não enlouquecermos de raiva face uma injustiça, para reprimirmos a nossa irracionalidade ao ponto de ficarmos paralisados nas nossas análises sobre o que está certo ou não fazer numa determinada situação ou em relação a uma certa pessoa. São “certas e determinadas” coisas que nos dizem ser errado fazer. Os nossos pais repetem isto ao longo da vida porque sabem que um dia seremos confrontados com a vontade de estrafegar um condutor que nos abalroou na estrada. Mas podemos escolher não dar uma estalada a quem se aproveitou da nossa boa vontade.  

 

Somos rápidos a condenar atitudes excessivas face à situação de injustiça do quotidiano. Ninguém no seu perfeito juízo arruína a sua festa de casamento só porque descobriu que o homem com quem acabou de casar foi infiel e convidou a amante para a boda. Mas por que razão nos é exigida uma racionalidade impossível para suportar o insuportável? Para não aborrecer os convidados? Por que não destruir tudo o que está à volta, atirar com a amante contra um espelho e assim mostrar todo o nosso descontentamento e toda a nossa desilusão? Será esta atitude pouco adequada à dor que nos foi infligida?

 

“Relatos selvagens” é um filme escrito e realizado pelo argentino Damián Szifrón, que nos conta seis histórias de injustiça, vingança e descontrolo dos protagonistas face a situações que não compreendem. Esta falta de ponderação e calma perante um desgosto de amor, o reboque do automóvel ou a presença inesperada de alguém que foi responsável pela desgraça da nossa família talvez seja, digamos, natural. É uma atitude que tomamos por defeito, mas que é logo sufocada com uma carga de “racionalidade” e “controlo”. Ninguém nos informa do prazer que dá agarrar num extintor e partir o vidro atrás do qual está um funcionário que se recusa a ouvir que não havia nenhum sinal de “proibido estacionar” naquele sítio de onde nos rebocaram o carro. Ninguém nos quer dizer que a vida na prisão pode ser melhor do que a vida cá fora e que o acto pelo qual fomos condenados até pode ter valido a pena. É esperado sermos civilizados, i.e., reprimirmos o prazer de perdermos a cabeça.

 

Nestas seis histórias divertidas sobre descontrolo, tomamos o partido de quem parte para a violência, percebemos as razões, torcemos para que tudo se resolva a favor de quem se passou da cabeça. Mesmo que o descontrolo seja absurdo, mesmo apesar do desfecho insano e imprevisível de uma luta absurda na estrada. A resposta à violência daquela possibilidade é o riso.

 

Até ao momento em que escrevo, ainda é cedo para saber se “Relatos selvagens” ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro para o qual está nomeado. Aposto que não ganha, porque é uma comédia e a Academia não liga a essas coisas. Além disso, Vladimir Putín não gostou nada de “Leviathan”.

 

Publicado na edição de hoje do i.

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publicado às 19:43