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Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.15

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Joseph-Noël Sylvestre, Le Sac de Rome par les Barbares en 410, 1890

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publicado às 19:16

Problemas em casa

por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.15

Não nos surpreendemos quando nos falam de cães e gatos estarem tristes, contentes ou nervosos. Mas não é normal ouvirmos falar de animais de estimação que estão clinicamente deprimidos, têm fobias ou comportamentos obsessivos compulsivos e outros distúrbios próprios de pessoas das cidades. É do Reino Unido que surge o sinal de alarme e a descrição das causas: horas de solidão, falta de socialização, de amor e de atenção. As pessoas têm vidas tão ocupadas que não têm tempo nem disponibilidade para se dedicarem minimamente aos seus amigos não humanos. Muitos veterinários britânicos estão a tratar cães e gatos com os mesmos medicamentos que os humanos utilizam nas mesmas circunstâncias. No entanto, as grandes farmacêuticas já licenciaram medicamentos especificamente elaborados para cães e gatos deprimidos. Segundo o Telegraph, 80% dos animais domésticos sofrem de perturbações comportamentais graves. É um nicho de mercado inesperado que vale milhões. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 27-3-15

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publicado às 19:11

Outros benefícios

por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.15

Não é um tema controverso que a amamentação é boa para as crianças. São muitos os pontos a favor e mesmo que se chegasse à conclusão que só serve para fortalecer o sistema imunitário, seria o suficiente para sermos a favor da prática. Mas não sei porquê muito boa gente ainda insiste em atribuir ainda mais vantagens ao leite materno. Talvez falte ao leite um efeito mágico. Foi publicado um estudo no Brasil que garante que as crianças amamentadas são mais inteligentes e têm mais hipóteses de triunfar na vida do que as outras. Uma vez que a maior parte da população foi criada nessas condições, deveríamos então concluir que a maioria do género humano é inteligentíssima, rica e feliz. É certo que só conheço esta espécie humana, mas penso que a conclusão sobre os benefícios da amamentação é um disparate total. Corrijam-me se estiver enganada. Ou então digam-me que desde os primórdios da História os seres humanos foram alimentados a leite em pó.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 27-3-15

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publicado às 19:08

E Deus criou o mundo

por Carla Hilário Quevedo, em 31.03.15

Hoje à noite, por volta das 23h, no programa E Deus criou o mundo, na Antena 1, Henrique Mota fará uma pergunta pertinente acerca do co-piloto da Germanwings: E se ao último instante o homem se tiver arrependido profundamente da sua decisão? Será muito interessante ouvir as respostas de Abdul Vakil, muçulmano, Isaac Assor, judeu, e Pedro Gil, católico. Como sei isto tudo? Ora, porque sou bruxa.   

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publicado às 14:15

Razões não faltam

por Carla Hilário Quevedo, em 30.03.15

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 App CameraBag com filtro Colorcross

 

O desafio do artigo de hoje consiste em esclarecer até que ponto o que se comenta sobre certos eventos é inútil, estranho e ofensivo. É um desafio porque há coisas que só merecem o nosso mais respeitoso silêncio. E merecem silêncio porque não há explicações para esses acontecimentos terríveis. O estudo e a reflexão existem precisamente para chegarmos a esta conclusão e não, como tantos pensam, para arranjar explicações para tudo o que acontece. O estudo tranquiliza as almas quanto à necessidade do que não existe. Neste caso, falo das explicações para o caso horrível da Germanwings. O que estes dias provam é que a angústia de preencher o espaço não ajuda à verdade.

 

Os crentes têm palavras para descrever acontecimentos inesperados excelentes, mas também se deparam com os seus limites quando acontece qualquer coisa horrível. Nada disso, no entanto, impediu o padre Gonçalo Portocarrero de Almada de invocar Hannah Arendt em vão a propósito do co-piloto que despenhou um avião nos Alpes franceses com mais 149 pessoas a bordo. Num artigo no Observador, a tentação de explicar falou mais alto, e a banalidade do mal, uma nota marginal de Hannah Arendt sobre o Holocausto, foi transformada em ‘normalidade do mal’, o que sugere que qualquer pessoa pode ter um co-piloto maléfico e chanfrado dentro dela. A equiparação entre o Holocausto e o avião despenhado é tão falhada como a tentativa de meter o Rossio na Betesga. Fiquei a pensar, no entanto, que é na diferença que se torna claro que, ao contrário de Göring e Himmler, o co-piloto percebeu que tinha uma oportunidade. E como se diz hoje em dia, agarrou-a. Atenção que esta não se trata de uma causa: apenas da descrição de uma possibilidade.

 

Na televisão, sobretudo nos momentos logo a seguir à notícia, houve um autêntico desfile de explicações sobre o caso. Como era cedo, e parece que há um dever de não compromisso com uma história antes se conhecerem “os factos” – e vimos isto em Portugal, quando falaram de “tiroteios” e “atiradores” quando se passou o ataque terrorista ao Charlie Hebdo, como se tudo não passasse de uma troca de tiros –, alguém responsável pela companhia veio falar de o co-piloto ter querido “destruir o avião”. Era uma explicação vaga e eufemística. Depois veio a tese do suicídio, que deu azo a que se falasse da depressão como um barril de pólvora à espera da oportunidade certa. Acontece que a maioria dos deprimidos não mata uma mosca e até faz a sua vida. Um piloto desesperado por preencher 20 minutos de comentário na televisão falava das “lutas internas que todos temos”. Agradeço que não me envolvam nisso!

 

Problemas de visão e baixas médicas ocultadas da companhia são mais ingredientes para apresentar uma explicação que sossegue o público. Um desgosto amoroso foi também apontado como uma razão para o sucedido. A culpa, como sabemos, é feminina. Coitadinho... Uma Mary W. apareceu a dizer que o ex-namorado “queria mudar o sistema para o seu nome ser lembrado para sempre”, uma conversa que ouvimos em novos desesperados e velhos tontos. Por mim, espero que o co-piloto homicida arda no inferno.

 

Publicado na edição de hoje do i.

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publicado às 19:10

Letra e música

por Carla Hilário Quevedo, em 24.03.15

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publicado às 23:02

Ouvidos em sangue

por Carla Hilário Quevedo, em 24.03.15

O massacre auditivo aconteceu há dias quando a TVI anunciou o começo de uma nova novela. A Única Mulher é o titulo desta aventura televisiva que não verei, não por snobismo mas por ódio a novelas. Ainda assim, mesmo com a necessária e pacífica mudança de canal, não é possível escapar aos anúncios com a canção a acompanhar. É costume ser uma 'coisa' (nome técnico) que fica no ouvido, mas desta vez não só fica como faz com que os pobres ouvidos de qualquer pessoa sensível fiquem em sangue. O tema cantado por Anselmo Ralph, além de apresentar as dificuldades de cantar uma frase como, “O que na raiva eu te digo/ Pois é ela a falar por mim” e de tentar uma rima insuportável em “Pois na verdade o que eu sintúúú é que túúú”, tem um refrão que desafia a própria, digamos, melodia. Falo de: “Tu pra mim és a únicamúúlher que me completa”. Não houve ninguém que percebesse o que isto dói? Será dos mesmos autores do verso clássico “tudo foi em vããão, ããão”?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 20-3-15

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publicado às 22:58

Quem é o saudável?

por Carla Hilário Quevedo, em 24.03.15

Fazer uma biografia de alguém que nasceu na segunda metade do século XX pode ser um pesadelo por razões opostas às que dificultam a descrição de uma vida antiga. O limite das fontes no segundo caso não existe no primeiro. Suspeito por isso que o filão de biografias sobre Steve Jobs será longo. Notícias sobre Becoming Steve Jobs, uma nova biografia a publicar no fim deste mês, relatam um episódio em que Tim Cook, co-fundador da Apple e amigo próximo de Jobs, depois de uma visita em que ficou impressionado com o estado de Jobs, decidiu fazer análises para saber se poderia doar parte do fígado. Este acesso de altruísmo foi punido com três berros por Steve Jobs, que se recusou a ouvir argumentos que o fizessem mudar de ideias. Segundo Cook, o episódio mostra que Jobs não era o monstro de egoísmo que tem sido retratado. Até diria mais: revela que Tim Cook talvez não estivesse completamente bem e que Steve Jobs, mesmo às portas da morte, era saudável.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 20-3-15

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publicado às 22:54

Gatinhos, sempre

por Carla Hilário Quevedo, em 23.03.15

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App PictureShow com filtro Quad

 

Daqui a uns séculos, os historiadores referir-se-ão aos tempos que vivemos como a época em que a humanidade oscilava neuroticamente entre assistir a vídeos de execuções perpetradas pelo autoproclamado Estado Islâmico e vídeos queridos de gatinhos. Não sei o que move alguém a clicar num vídeo em que se anuncia uma degolação ou um linchamento de uma mulher que queimou um exemplar do Alcorão. Não vi nem quero ver. Que curiosidade é esta que leva pessoas aparentemente normais a querer assistir a uma decapitação online?

 

Do lado oposto à violência na Síria e no Iraque, autênticos infernos na terra, temos uma profusão de vídeos de gatinhos e cãezinhos e gatinhos e bebés. Embora não pareça, penso que um extremo não vive sem o outro e que a overdose de fofura terá sido criada para combater a violência absurda que nos entra todos os dias pelos ecrãs de computadores, tablets, smartphones. Não se pode sossegar porque há sempre algum site a impingir notícias de terror. Não conheço os números, mas tenho curiosidade em comparar a quantidade de visualizações do linchamento com o de um vídeo que vi há tempos de um cão a lamber as costas de um bebé, num movimento que o massaja. A criança, sentada no chão, não está minimamente incomodada com o que se está a passar, pelo contrário. O vídeo mostra como crescer é abdicar de várias formas inesperadas de prazer. Ou então é de mim.

 

Há dias, em conversa com a minha amiga Robin sobre a maravilha que é o Bored Panda fiquei a saber que o BuzzFeed tem uma pessoa a tempo inteiro a escolher os melhores vídeos de gatinhos. Um trabalho de sonho! O site tem uma secção sobre notícias de animais, onde se incluem as indispensáveis Cat News, e aí temos acesso a uma vasta quantidade de vídeos sobre os nossos amigos mais fofos. Há imagens de gatos a bocejar, uma selecção criteriosa de gatos a espreguiçar-se e até uma reportagem sobre o reencontro emocionante de um homem que vivia em Kobani, na fronteira entre a Síria e a Turquia, e a sua gata, que tinha deixado para trás por causa da tomada da cidade pelo Estado Islâmico. A primeira vez que voltou a casa para levar o bicho com ele para a Turquia, a gata tinha dado à luz. Os ataques continuaram, o homem teve de fugir e decidiu deixar gata e gatinhos para trás porque assim teriam mais hipóteses de sobreviver. Três meses depois, Kobani foi libertada. Quando o homem voltou à cidade, tinha a gata sentada nos escombros à espera dele. É uma história de amor, que une o mais tenebroso ao mais absolutamente fofo. Se isto não tem interesse jornalístico, não sei o que poderá ter!  

 

Sou fã de vídeos de gatinhos e digo-o sem vergonha nem pudor. Prefiro assistir a quatro minutos de cenas de cães brincalhões a tentarem ser amigos de gatos do que a ver a maior parte dos telejornais, isto para não falar de qualquer programa da tarde na televisão portuguesa. Não é por apatia. É mesmo porque já vi demais, já percebi o que não queria, já me entraram pelo ecrã dentro com a realidade violenta que não tem solução. E também porque não tenho um aquário e olhar para o tecto é um bocado monótono. Gatinhos, sempre.

 

Publicado na edição de hoje do i.

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publicado às 17:32

Continuando

por Carla Hilário Quevedo, em 22.03.15

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Harry Wilson Watrous, The Discussion, 1900

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publicado às 18:13

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