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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 29.04.15

 Cersei Lannister aka Lena Headey

 

... as personagens femininas de Game of Thrones são muito curiosas. Cersei Lannister é uma Agripina filha ainda mais inteligente. É uma personagem extraordinária. Arya Stark parece um rapazinho mas denuncia a sua feminilidade quando anda. Sansa Stark é mais clássica, na medida em que é levada, trazida, vendida, casada por conveniência. Faz-me lembrar alguém. E depois há Daenerys, que é a mulher que manda, candidata a ser Dona Daquilo Tudo: uma personagem de ficção científica. Isto só vai lá com dragões. 

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publicado às 08:59

Obviamente, chumbada

por Carla Hilário Quevedo, em 28.04.15

A actriz Gwyneth Paltrow foi desafiada pelo célebre chef Mario Batali a viver uma semana como vivem cerca de 47 milhões de americanos: com 29 dólares de subsídio de alimentação (ou food stamps). Gwyneth fez umas compras estranhas no primeiro dia, só à base de fruta, ovos e legumes, e que incluíam sete limas. Foi olhada de lado pela comunidade Twitter do costume, que achou as escolhas pouco realistas para um orçamento tão magro. Ao quarto dia, Gwyneth Paltrow desistiu do desafio e confessou que tinha comprado um frango. Quando quis explicar por que razão tinha aceitado o desafio, respondeu que era preciso chamar a atenção para os cortes nos food stamps. A pergunta é se o terá conseguido fazer ou se o resultado terá sido uma humilhação velada de quem pouco tem para viver. Gwyneth terminou por dizer: «Estou grata por poder dar comida de boa qualidade aos meus filhos». Fica confirmado que é das celebridades mais tolas e desagradáveis do planeta. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 24-4-15

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publicado às 17:57

O Pedro Neves...

por Carla Hilário Quevedo, em 28.04.15

... do Sapo, fez-me cinco perguntas e eu, que sou obediente, respondi. 

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publicado às 17:54

Dar um passo

por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.15

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App InstaWeather com filtro Chrome

 

Há uns anos, numa de muitas entrevistas na televisão, António Barreto disse que só acreditava nele e em mais ninguém. Lembro-me na altura de ter ouvido a frase com uma mistura de escândalo e admiração. Ali estava uma pessoa – e logo um português! – a afirmar com a maior tranquilidade do mundo que tinha confiança nele acima de tudo. Pareceu-me um pensamento revolucionário, no melhor dos sentidos. Tinha a particularidade de não soar a vaidade, talvez pelo tom usado. Ou então foi dos meus ouvidos humildes embora não discretos.  

 

Passaram alguns anos desde que ouvi essa frase e muita coisa mudou no país e em cada pessoa. Portugal passou por uma crise muito difícil que teve consequências que estão à vista. Por um lado, uma camada substancial da população é hoje mais pobre e tem menos oportunidades de sair da pobreza. Por outro, há uma parte da população que progride, dentro e fora de Portugal. Há vidas destruídas também porque a dada altura as pessoas desistiram de lutar, como se a desistência fosse uma opção de vida. E há vidas que melhoram lentamente graças a enormes esforços pessoais. Cada vez mais, hoje em dia, vejo dois países num só, o que dificulta a vida dos políticos. Como vão fazer para chegar a estes dois países concentrados num só? Gente que não desistiu não quer ouvir falar de pobreza, mas de prosperidade. Ao mesmo tempo, gente que perdeu tudo quer ouvir falar do que pode esperar para refazer a sua vida.  

 

Quando procuramos razões para explicar a pobreza em Portugal, aparecem vários especialistas que apontam factos, números, etc. É verdade. Nos últimos quatro anos a vida tornou-se mais difícil e a pobreza mais humilhante. Há, no entanto, outro aspecto a considerar, mais psicológico é certo, mas não menos rigoroso. Existe em Portugal a ideia generalizada de que nada pode mudar. Esta ideia não só é falsa como corrói a vida das pessoas, tornando-as mais paralisadas, desorientadas, e em última análise, pobres. O primeiro passo para acabar com a desorientação é procurar ajuda, o que parece ser um problema insolúvel. Como é que alguém que acredita que está de mal com a vida por causa da troika, do governo, do desemprego, etc. pode dar um passo no sentido de resolver os seus problemas? Além do mais, como é que se quebra um ciclo de paralisia em que família, amigos, vizinhos, parecem colaborar e até incentivar? E que reacção pode esperar dos outros aquele que decide tomar conta da sua vida, procurando ajuda, falando com alguém que o oriente?

 

A explicação emocional para o mal-estar não interessa aos políticos que pensam em “eleitorados”, como se não fossem compostos por pessoas, cada uma delas com características específicas e vidas diferentes. Admito que me interessam mais as pessoas, os indivíduos, que partilham os mesmos interesses em comunidades, com a liberdade que a actividade implica. É cada pessoa, que é diferente da outra, que pode fazer a diferença; que muda um cargo, uma empresa, uma escola. “Acreditar em si próprio” é uma ideia boicotada e mal vista em Portugal, país do fado e do destino. Só somos bons lá fora, lembram-se? Tomemos conta de nós e assim poderemos ajudar quem mais precisa.

 

Publicado na edição de hoje do i

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publicado às 19:50

Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 26.04.15

LawrenceAlmaTadema-Caracalla-and-Geta-1909.jpgSir Lawrence Alma-Tadema, Geta and Caracalla, 1909

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publicado às 19:58

Rakim, claro*

por Carla Hilário Quevedo, em 24.04.15

Thinkin' of a master plan
'Cuz ain't nuthin' but sweat inside my hand

 

* Tão difícil fazer um Top Five...

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publicado às 19:53

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 24.04.15

Maps to the Stars (muito bom e tem aquele poema do Paul Eluard). Top Five (gostei imenso e o meu Top Five é: Salt 'n' Pepa, Nas, Grandmaster Flash, LL Cool J, Kanye West e o sexto: Snoop Dogg).

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publicado às 19:44

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 24.04.15

 Lauren Bacall

 

... descobri que tenho uma coisa a dizer a mulheres mais novas, que não é uma indicação, mas que gostaria de partilhar. Se por acaso alguma vez pensarem em casar, tentem perceber se a pessoa que escolheram vos azucrinará a existência e se é mesmo isso que querem para a vossa vida (deve haver quem queira, daí a ressalva). Não se trata de prever o futuro mas de reconhecer os indícios que a pessoa que chaga o próximo revela no presente. É que chagar não é amar. Porque é que digo isto? Porque às vezes penso na sorte que tenho, que também foi a sorte que quis ter. 

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publicado às 08:17

Melhor é possível

por Carla Hilário Quevedo, em 21.04.15

Jose-Mourinho1.jpg

Numa entrevista ao Telegraph, José Mourinho afirmou que tem um problema: “Estou a ficar melhor em tudo”. Acredito que Mourinho creia nisto. Por mais vaidoso que pareça, este balanço feito pelo próprio não deixa de ser uma expressão de auto-estima louvável. No que diz respeito ao seu desempenho profissional, ninguém pode discutir a ascensão quase ininterrupta dos seus feitos. Foi refinando a atitude tanto nas vitórias como nas derrotas, sem deixar de ser lúcido, e até quando se mostra infernal, percebemos que a arrogância não é uma pose mas um método. Mourinho consegue reunir o equilíbrio cósmico invejável de ser odiado pelos seus inimigos e amado por todos os que o rodeiam. Até na sua coerência é imprevisível. Sim, concordo. Mourinho está a ficar melhor. E, sim, isso pode ser um problema. Mas confio que estará à altura do desafio. Não pode ser de outra forma para quem não só resolve problemas como também para quem não tem medo de os criar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 17-4-15

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publicado às 22:54

Chorar em paz

por Carla Hilário Quevedo, em 21.04.15

Todas as semanas há uma imagem ou um vídeo que se torna viral na internet. Parece haver algo nessas imagens que faz delas motivo de interesse para muita gente. Por vezes, são só momentos captados por acaso e que nos comovem ou repugnam. E às vezes o objectivo é o primeiro mas o efeito acaba por ser o segundo. Aconteceu-me isso com um vídeo recente em que vemos um miúdo a despedir-se de um peixinho de aquário que morreu. A criança é filmada pela mãe a dar um beijinho ao peixe já morto, a largá-lo na sanita e a puxar o autoclismo. Quando o peixe desaparece, o rapaz começa num pranto e a mãe consola-o, sempre a filmar. O vídeo foi muito partilhado. Só pergunto que direito tem seja quem for a filmar uma criança num momento privado e difícil em que é confrontado com a morte. Uma criança não tem direito a chorar em paz?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 17-4-15

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publicado às 22:51

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