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Continuando

por Carla Hilário Quevedo, em 06.04.15

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publicado às 18:34

Mudar hábitos

por Carla Hilário Quevedo, em 06.04.15

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Já todos reparámos nesta contradição flagrante em que vivemos: nunca nos preocupámos tanto com a saúde e nunca comemos tantas porcarias. Sim, mesmo num país com legumes, fruta e peixe maravilhosos como o nosso, Portugal tem quatro milhões de pessoas em risco de se tornarem obesas. E os erros na alimentação não estão nos doces na Páscoa. Estão na aquisição de hábitos errados desde a infância. A boa notícia é que é possível corrigi-los.

 

A reportagem exibida na SIC com o título Somos o que comemos, da autoria da jornalista Miriam Alves, deveria ser o princípio do fim de certos hábitos nefastos para a saúde, se as pessoas tivessem cabeça. A reportagem é a primeira de uma série de reportagens interactivas disponíveis no site com conteúdos que vão além dos apresentados. O vídeo inclui várias informações assustadoras sobre, por exemplo, o número de calorias no que nos parecia até agora um “inofensivo” bolo de arroz ou se o pacote de leite com chocolate que as crianças levam para a escola será assim tão bom para o crescimento.

 

Pela primeira vez, fomos confrontados na televisão com duas verdades que me parecem importantes destacar. A primeira é que a obesidade infantil é um reflexo das más decisões dos pais. Existe uma responsabilidade parental na alimentação dos filhos. A segunda é que pela primeira vez se falou sem medo sobre os custos de tratar certas doenças, como a diabetes, que não se chegariam a manifestar se as crianças não tivessem bebido cinco latas de Ice Tea por dia e se o gosto tivesse sido educado de pequenino com alimentos saudáveis acompanhados a água. O tema é delicado porque pode sugerir que o Estado não deve pagar (literalmente) por más decisões de cidadãos adultos. Mas penso que a questão foi abordada com calma, firmeza e bom senso.

 

Admito que fiquei surpreendida com a completa ignorância dos pais, que nunca tinham lido os rótulos e que pensavam que Ice Tea era sinónimo de chá. Numa altura em que somos bombardeados com toda a espécie de informação, útil e inútil, parece faltar discernimento para a usar a nosso favor. O aspecto positivo está na admissão de responsabilidade nas más decisões e na mudança de hábitos. As famílias apresentadas na reportagem tinham tomado conta da sua vida e alterado a sua conduta quanto à alimentação. Foram obrigadas a fazê-lo porque os filhos, com oito ou 12 anos, já tinham problemas de tensão arterial. As maleitas de adultos estavam a manifestar-se demasiado cedo.

 

Segundo foi dito na reportagem, o orçamento da saúde para a prevenção é de 4% e para o tratamento é 96%. Não seria útil pensar em ir equilibrando mais a balança? A palavra-chave neste tema é “equilíbrio”, precisamente, algo que parece faltar nas dietas e nas políticas actuais. Não será também uma questão de bom senso? Por amor de Deus, até eu sei fazer uma sopa!

 

Termino com uma sugestão para outra reportagem que pode chocar muita gente. Façam o favor de ler com atenção os rótulos de sabonetes, gel de banho, champôs, perfumes, maquilhagem, etc. Sim, observem outras prateleiras do supermercado. São capazes de ter mais surpresas aterradoras.

 

Publicado na edição de hoje do i

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publicado às 18:29