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Beleza real

por Carla Hilário Quevedo, em 05.05.15

Não é suficiente expressar um incómodo com a ideia de 'beleza real'. Há que tentar explicar a natureza do incómodo. Não me incomoda que seja um negócio nem uma moda. O incómodo não está em usar raparigas 'normais' em anúncios que antes eram povoados por raparigas 'perfeitas'. Com a substituição, as marcas pretendem afirmar que o seu produto é dirigido a todas as raparigas e não, como antes, vender o sonho inconfessado de se tornarem assim porque usam o mesmo sabonete. O problema é mesmo achar que mulheres muito bonitas e naturalmente magras não são 'reais' como outras mulheres que devem menos à beleza. Este pensamento tem a consequência perversa de fazer com que muita gente acredite que certas pessoas simplesmente não existem. E se não existem, porque precisamente são 'irreais', então não há nada nem de mau nem de bom que lhes possa acontecer. É este realmente o problema: a 'beleza real' é um logro que desumaniza. Recomendo cuidado a usar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 30-4-15

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publicado às 23:11