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Qual Acordo?

por Carla Hilário Quevedo, em 26.05.15

Há dias li que o Acordo Ortográfico tinha passado a ser obrigatório. Assim, de um momento para o outro, passados anos de resistência de tantas pessoas na sociedade portuguesa. Escrevi bastante sobre este tema e a partir de uma certa altura deixei de escrever, não por ter mudado de ideias, mas porque passei a fazer exactamente aquilo que queria, indiferente aos acontecimentos. Em Portugal pratica-se pouco a desobediência silenciosa e há uma tendência para preferir a queixa activa e permanente, que dá muito mais trabalho. A partir de certa altura, como é aliás tão feminino, desliguei. Para mim, o Acordo Ortográfico não existe. Não o quero, não o compreendo e não o sigo. É uma teimosia imposta por quem quer impor à força regras de escrita inúteis, que ainda por cima só trazem confusão e mais erros de português. O que me acontece se continuar a escrever Setembro com maiúscula? Serei multada? Enviem a multa para casa com a referência Multibanco.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-5-15

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publicado às 19:19

Haio que não

por Carla Hilário Quevedo, em 26.05.15

O governo grego suspendeu inesperadamente a acção judicial que tinha apresentado contra o Reino Unido por causa dos frisos ou mármores roubados no século XIX pelo embaixador britânico da altura junto do Império Otomano, Lord Elgin. Há décadas que a recuperação deste património artístico e histórico tem sido a prioridade dos ministros da Cultura da Grécia. A decisão do novo ministro da Cultura, Nikos Xydakis, de tratar o assunto pela via diplomática e política e não pelos tribunais, é uma mudança importante. Não digo isto por ter pena de Amal Clooney, que fica sem um trabalho que lhe valeria uma estátua ao lado dos ditos frisos no caso de ganhar o processo. Para um país em crise, uma vitória no Tribunal de Haia teria um valor prestigiante e justiça seria feita. Mas transferir este conflito para o campo político-diplomático pode ser um factor de peso noutro tipo de negociações. Enfim, algo me diz que os frisos não saem do Museu Britânico tão cedo.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 22-5-15

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publicado às 19:16