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Estado em que se encontra este blogue

por Carla Hilário Quevedo, em 10.08.15

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Rainer Fetting, Surf, 2007 

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publicado às 18:39

Verão frio

por Carla Hilário Quevedo, em 10.08.15

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App PictureShow com filtro Instant

 

“Levo o pijama de flanela?” “Traz. E não te esqueças dos casacos de malha.” Todos os anos o diálogo repete-se, como se quem pergunta tivesse um prazer especial em mencionar o improvável em pleno Agosto. Sabemos que as noites de Verão no Sítio da Nazaré não são tropicais. Mesmo ao longo do dia há variações curiosas nas temperaturas. Pode estar um ventinho frio às duas da tarde e a partir das quatro e meia sermos surpreendidos por um nada menos do que “extraordinário fim de tarde de praia”. “Não prometia, amanheceu nublado, esteve até frio, veio uma neblina da praia do Norte mas depois... Nem parecia a Nazaré!” São assim as conversas sobre o estado do tempo naquela praia. Agimos como se tudo nos surpreendesse. Somos dramáticos quando acordamos com os tejadilhos dos carros molhados, não tendo chovido uma gota durante a noite, mas conhecemos desde cedo a instabilidade nazarena. “Se aqui está a chover, na Nazaré deve estar uma verdadeira tempestade.”

 

Este ano concluí que o clima sobretudo ventoso – insuportável na Praia do Norte, onde o McNamara, que as peixeiras tratam por “Má Cara”, faz lá as coisas dele – tinha uma explicação. Havia ordem onde pensava haver só natureza maldosa e caos. Se está vento e frio, não apetece ir à água, e o mar, mesmo na praia da Nazaré, na do Sul, naquela que se vê do elevador, é bravo – e se estiver calmo é de desconfiar. Soube este ano que um trisavô morreu ali, de certeza numa altura em que os barcos não partiam da praia, porque o areal estava ocupado por piratas. O elevador ainda não tinha sido construído e o Sítio era procurado por romeiros e peregrinos. “Deve ter morrido no mar alto, o velho lobo-do-mar.” Nunca tinha ouvido falar deste trisavô.

 

Nascida numa família de nadadores exímios, a única história que é contada numa única versão diz respeito a um feito no mar. Contam que o meu pai tinha o costume de nadar desde a praia até à Pedra do Guilhim, enfrentando ondas e correntes. Uma vez que todos contam a mesma história, penso que é seguro dizer que estamos perante a verdade e não uma “versão oficial”. Acredito nesta história por ser possível, por causa do protagonista e por me lembrar de mim, ainda criança, nas ondas da Praia do Norte com o meu pai ao lado a repetir que não tinha de ter medo por estava “a puxar para fora”. Uma coisa é dizer, outra é não temer aquele mar impossível. Mas nunca vi ondas de trinta metros.

 

Preferia a tranquilidade das carreirinhas na outra praia, apesar de o medo estar sempre presente – uma mistura de medo e respeito por aquele mar previsivelmente instável. Contávamos as ondas de um a sete, até serenar e podermos ir para terra. Depois recomeçava a sucessão de ondas grandes, mergulha ou salta mas não fiques a meio. Os dias de Verão eram estafantes, em luta com a Natureza, que nos recompensava com vento frio à noite.

 

Apesar da experiência, só este ano levei um casaco a sério e não as habituais malhas, mas mesmo assim ouvi perguntar: “A senhora quer experimentar um ponchozinho de lã?” “Talvez daqui a três dias”, respondi.  

 

Publicado na edição de hoje do i.  

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publicado às 18:31

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 10.08.15

A Little Chaos (uma cena boa e Alan Rickman). My Old Lady (excelente filme).

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publicado às 08:27

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 10.08.15

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Cyd Charisse

 

... de vez em quando leio queixas sobre o comportamento dos outros. São parecidas: aqueles que abandonam os amigos na tristeza não merecem nada. Percebo o lamento mas o teste sério à amizade não acontece nos maus momentos (embora dependa dos casos, claro - além de que às vezes é mesmo só falta de jeito) mas nos momentos de felicidade. Há muita gente disponível para o choro; mas são poucos os que acompanham os outros na alegria. Quanto à terceira temporada de Masters of Sex, o primeiro episódio foi estranho, mas o segundo foi extraordinário. O mais engraçado é o texto que aparece antes dos créditos que diz que os filhos de Masters e Johnson são ficcionais. E mesmo assim são uma fonte constante de problemas... O terceiro episódio foi óptimo.

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publicado às 08:10