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Dos Modernos

por Carla Hilário Quevedo, em 19.08.15

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Tezh Modarressi, Who's Got The Whiskey, 2010

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publicado às 17:01

O terceiro homem

por Carla Hilário Quevedo, em 19.08.15

Para consolo dos socialistas devo lembrar que a história dos famosos cartazes vai ser, como tudo o que acontece em Portugal, rapidamente esquecida. Há, no entanto, um lado enigmático que pode dar um filme. Sabemos que os publicitários experientes Vítor Tito e Edson Athayde não são responsáveis pela incompetência neste início de campanha. Por outro lado, passámos a saber que haverá um terceiro criativo desconhecido que teve aquela brilhante ideia e o poder de distribuir os cartazes no absoluto anonimato e isso não é coisa pouca. Penso que a ideia da campanha não era má. Se as histórias pertencessem às pessoas e as datas fossem mais apropriadas para fundamentar os estragos da austeridade, teria sido interessante de ver. Claro que para isto tinha sido preciso trabalhar um bocadinho. Não deve ser difícil encontrar voluntários na multidão de desempregados e nela alguém que não tivesse trabalho há quatro anos. O criativo ignoto foi preguiçoso.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 14-8-15

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publicado às 16:58

Duas vezes bom

por Carla Hilário Quevedo, em 19.08.15

Num artigo na Economist abordaram o grande problema da humanidade chamado Twitter. A condenação consensual do máximo de 140 caracteres como responsável pela iliteracia da juventude foi declarada exagerada e perniciosa. Ser breve continua a ser uma virtude que não se ensina, sendo apesar disso literariamente apreciada. Curiosamente só nos jornais é exigida, não tanto por exigências de estilo mas para não dificultar a tarefa editorial e a paginação. Mas a questão de fundo é não estarmos a formar os nossos jovens na difícil arte da clareza concisa, da adjectivação austera e no combate à divagação inútil, à repetição senil e à informação desinteressante. Mas os jovens estão a aprender o estilo da maneira mais directa e por vezes cruel da exposição pública, mesmo que o público seja formado pelos seus pares. Abaixo as exigências de escrever em dez páginas o que se pode dizer em cinco. Vivam os 140 caracteres que revelam a burrice e o génio. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 14-8-15

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publicado às 16:52