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A jóia do mês

por Carla Hilário Quevedo, em 30.09.15

Já começou o novo ano televisivo e com ele as novas séries que ameaçam a doce rotina de assistir a uma, duas séries durante o deserto televisivo estival. No canal TV Séries, agora associado à HBO, podemos ver um diamante depressivo, vencedor de um Emmy: a minissérie Olive Kitteridge. Uma professora de matemática reformada, interpretada pela vencedora de outro Emmy, Frances McDormand, tenta suicidar-se no primeiro episódio, mas antes de cometer um ato tão definitivo recorda os seus 25 anos de casamento. O marido, interpretado por Richard Jenkins, vencedor de mais um Emmy, é um farmacêutico simpático e popular entre os habitantes da pequena cidade onde vivem. É um casamento de pessoas opostas mas singularmente unidas. Se querem mais pormenores, sugiro que vejam esta série difícil de definir. Tem algo de comédia e tem tudo para ser um drama. Não é, porém, nem uma coisa nem a outra. Como se costuma dizer, a soma das partes é maior do que o todo. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 25-9-15

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publicado às 18:37

Estado em que se encontra este blogue

por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.15

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Andrew Wyeth, Distant Thunder, 1961

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publicado às 18:38

O polegar invertido

por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.15

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App PictureShow com filtro Calm e moldura 135 Slide sobre Pollice Verso de Jean-León Gérôme (1824)

 

Há menos de um ano, Mark Zuckerberg recusou a ideia de criar a variante “não gosto” no Facebook com o símbolo “dislike”, por oposição ao conhecido “like”, porque podia levar a que a rede social se tornasse um concurso de posts com mais ou menos “likes” e “dislikes”, muito parecida ao insuportável Reddit. Por outro lado, Zuckerberg afirmou na mesma altura o que recentemente repetiu: os utilizadores querem expressar mais emoções, sobretudo querem poder ter uma resposta rápida e adequada a posts tristes, em que são partilhadas má notícias, etc.

 

Na verdade, desde 2009 que os utilizadores andam a pedinchar por mais maneiras de expressarem o que pensam sobre o que é escrito. Comentar nem sempre é uma opção, porque nem sempre os “amigos” querem fazer algo mais do que cumprimentar o autor do post. Ou agradecer-lhe por alguma coisa que tenha escrito. O entendimento do que é o “like” e as suas múltiplas funções parece demasiado restrito à tradução imediata de “gosto”, quando por vezes só quer dizer “olha, já vi” ou “teve piada” ou “concordo com o que dizes a respeito da notícia pavorosa que estás a partilhar” ou muito simplesmente: “obrigada por teres escrito o que não fui capaz de dizer”. Seja como for, ou que significado lhe queiram dar, o polegar virado para cima do Facebook, um “ok” que entendemos ser um sinal positivo mais ou menos inócuo, parece a ruína de um gesto antigo, que conhecemos de filmes sobre imperadores romanos cruéis.

 

Penso que não é preciso perguntar a ninguém o que significava o polegar virado para cima, embora um utilizador do Facebook com 18 anos de idade possa responder que Nero afinal só queria dizer “like”. Pelo que vemos nos filmes, a mão fechada e o polegar virado para cima significava que o imperador poupava a vida do gladiador em desvantagem na luta, mas de repente tive dúvidas sobre se seria mesmo assim e que autor antigo descreveria melhor o que se passava naquele horror do Coliseu, por exemplo, com Nero.

 

Anthony Corbelli, no segundo capítulo de Nature Embodied, Gestures in Ancient Rome, eloquentemente intitulado “The Power of Thumbs”, chama a atenção para uma passagem da História Natural (28.5, em perseus.tufts.edu) em que Plínio estaria a sugerir que um misterioso “polegar pressionado”, passo a fraca tradução de “pollices premere”, seria um sinal de aprovação e não de condenação. Mas contra quê seria pressionado este polegar se estivesse virado para cima? Plínio falava do poder que alguns gestos tinham no quotidiano em Roma, e por isso (e outras razões) é arriscado adaptar ainda por cima um sentido pouco claro da expressão a um uso específico no Coliseu.

 

Porém, a expressão “pollice verso” que dá o título ao célebre quadro de Jean-Léon Gérôme, em que vemos um grupo de vestais a indicar o que pensamos ser a condenação do gladiador moribundo, significa apenas “polegar invertido”, sem especificar que era para baixo nem para cima. E se era tudo ao contrário?

 

É possível que estejamos enganados a propósito de gestos de aprovação e desaprovação que dávamos por garantidos. Não há sossego! Por mim, a culpa é toda de Hollywood.

 

Publicado na edição de hoje do i

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publicado às 18:23

Coisas que melhoram algumas vidas (143)

por Carla Hilário Quevedo, em 26.09.15

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A partir deste excelente artigo no NYRB (completo na edição paga).

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publicado às 18:16

Dos Antigos

por Carla Hilário Quevedo, em 24.09.15

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Cabeça de mármore de uma rainha ptolomaica, período helenístico, ca. 270-250 a.C., no Metropolitan Museum of Art

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publicado às 19:47

Ai, David...

por Carla Hilário Quevedo, em 23.09.15

David Simon é um génio. Criou Departamento de Homicídios, The Wire, Treme e agora Show Me A Hero, que podemos ver no canal TVSéries. Digo que ‘podemos’, mas na verdade cada vez posso menos. Esta minissérie tem seis episódios e já vi dois, o que significa que já vi um terço. É com tristeza que digo que é muito maçadora. A luta de um jovem presidente da imaginária Câmara Municipal de Yonkers é até agora tão chata como a de qualquer presidente de câmara de qualquer outro sítio fictício ou real. Em Show Me a Hero, temos afro-americanos e corruptos como em The Wire, mas nem por sombras tão maus nem tão fascinantes. Tal como em Treme há cidadãos que se preocupam com os bairros onde vivem, mas não se comparam com os talentosos habitantes de Nova Orleães. Nem tem a música, claro. Adorava escrever na próxima semana que me enganei, mas creio que nem um furacão, uma invasão de assassinos ou irlandeses poderá salvar esta série camarária. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 18-9-15

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publicado às 17:29

Resumo dos Emmy 2015

por Carla Hilário Quevedo, em 21.09.15

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Doze Emmys para Game of Thrones, três para Olive Kitteridge, um para Jeffrey Tambor e January Jones em Ulyana Sergeenko. Yeah baby!

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publicado às 19:04

Pessoas tóxicas

por Carla Hilário Quevedo, em 21.09.15

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App CameraBag com filtro Instant sobre desenho de Pedro Boucherie Mendes

 

A quantidade de artigos e livros sobre “pessoas tóxicas” faz-me pensar que o problema é quase tão grave como crimes de abuso que sempre existiram, mas que não eram tão denunciados como hoje em dia. Avisos sobre “pessoas tóxicas” estão por todo o lado, sobretudo em revistas e jornais online que têm um ritmo de publicação a cumprir. Há listas para todos os gostos: para reconhecer “pessoas tóxicas”, para aprender a lidar com elas e ainda mais listas para saber livrar-se destas ditas pessoas que estragam a vida ao próximo através da vitimização, da arrogância, da mentira, da negatividade, etc.

 

Embora tenha a perfeita consciência de que há pessoas com as quais só nos podemos relacionar superficialmente e de máscara, penso que o conceito de “pessoas tóxicas” é alarmista. Parece que estamos à mercê de termos uma criatura pavorosa destas na nossa vida, que estão por todo o lado, em cada esquina à espreita para nos infernizar a vida, em cada família à espera da oportunidade perfeita para nos deitarem abaixo. Nestas coisas, defendo que a vítima da pessoa tóxica é por sua vez alguém que não sabe que é também tóxico à sua maneira, na medida em que se deixa encantar por quem só faz o outro sentir-se mal. Não pretendo com isto deitar culpas à vítima da toxicidade alheia, mas apenas apontar a responsabilidade partilhada neste caso por tóxico e suposta vítima. O que leva alguém a passar tempo precioso da sua vida, quer seja amigo, namorado ou até colega de trabalho, com pessoas que só retiram prazer de uma negatividade constante, sem graça e estéril? Como noutros casos, o tóxico tem de ser afastado para sempre e a vítima precisa de se tratar.

 

Mas se houver como dizem assim tanta gente tóxica, então isso significa que tem de haver alguma coisa atractiva nessas pessoas, pelo menos numa fase inicial, como a droga que mata mas que parece dar grande felicidade a quem nela se vicia, que tornam os outros em toxicodependentes. Durante os primeiros tempos têm de ser encantadores para cativar a presa. Não vejo outra maneira de seduzir alguém, mesmo quem tenha a auto-estima de uma melancia. Mas geralmente, à primeira divergência, é possível perceber imediatamente quem são aqueles que julgávamos tão encantadores. Depois, tudo depende da necessidade de cada um de ser o masoquista da relação e perder o seu tempo valioso com gente que não tem nada para dar e que ainda culpa os outros por isso. A vítima também decide, sendo certo que a decisão é difícil quando se trata de um familiar mais tóxico ou de alguém no escritório.

 

Toda esta conversa sobre pessoas tóxicas até me deixou por instantes ligeiramente intoxicada. É mau pensarmos o pior dos outros e por isso preservar uma certa ingenuidade é positivo em qualquer caso. Ser convencido para o engano pode ser motivo de vergonha, mas é sempre mais desculpável do que convencer. Levarmos a toxicidade demasiado a sério pode levar a situações absurdas, como aquela com que ilustro este artigo. Às tantas, por tudo e por nada, toda a gente pode ser tóxica, o que também não é verdade. Ninguém é completamente saudável, mas ainda há gente normal.

 

Publicado na edição de hoje do i.

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publicado às 18:57

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 20.09.15

The Captive (rebuscado e muito fraco).

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publicado às 18:43

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 19.09.15

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Lizzy Caplan

 

... li comentários menos favoráveis à terceira temporada de Masters of Sex que me fizeram temer o pior. É certo, no entanto, que as séries muito boas normalmente melhoram com o tempo e Breaking Bad ou The Sopranos são exemplo disso. Game of Thrones melhorou muitíssimo e cada temporada é melhor do que a anterior. No caso de Masters of Sex, houve realmente um problema no primeiro episódio da terceira temporada, confuso e lento, mas a partir do segundo a série recuperou o seu fôlego. Quem parece ter um fôlego inesgotável é Virginia Johnson, cada vez mais gira, cada vez mais desligada e ao mesmo tempo carente. É uma personagem muito pouco óbvia.

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publicado às 08:08

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