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Outra vez, não

por Carla Hilário Quevedo, em 07.10.15

Pensava que este ano não ia ser preciso falar da ‘praxe académica’, designação pomposa para uma prática estúpida em todas as suas formas e variantes. Prática, em primeira análise, contrária a qualquer ‘espírito académico’ que se preze, outro termo usado para descrever coisas que não reconheço na minha ideia de universidade – um espaço em que cada pessoa aprende a desenvolver a sua capacidade crítica a respeito dos assuntos que estuda e a exercitar a sua liberdade de pensamento. São ideias que nada têm que ver com obedecer a uma ordem de um aluno do terceiro ano, nem que a ordem consista em caminhar em fila indiana feito parvo. A praxe diz que ensina os caloiros a ‘pertencer a um grupo’ em sítios onde se aprende, entre tantas outras coisas, que a pertença não depende de falsas hierarquias como anos de frequência. Uma aluna internada em coma alcoólico na sequência de uma praxe, com pessoas enterradas na areia, obriga a que me repita. Fora a praxe!

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 2-10-15

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publicado às 19:14