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Agora em vídeo

por Carla Hilário Quevedo, em 30.11.15

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publicado às 19:49

Amigos e amigas

por Carla Hilário Quevedo, em 30.11.15

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App CameraBag com filtro Colorcross

 

Não me lembro de quem disse um dia que homens e mulheres só poderiam alguma vez ser amigos se houvesse “antipatia sexual”, mas percebo a ideia. É, na verdade, um resumo de muitas certezas antigas baseadas numa expectativa de desigualdade absoluta entre os sexos. Homens e mulheres seriam, portanto, diferentes ao ponto de nunca se poderem encontrar ou de serem eternamente incompatíveis, como defendia com graça G.K. Chesterton.

 

Há muita melancolia na conversa sobre a diferença entre homens e mulheres. A conversa não terminou mas é ela própria uma ruína de um mundo que mudou. A conversa não acaba também porque é romântica. Não “romântica” no sentido alemão Sturm und Drang do termo mas no sentido do “romance”, que, segundo os mais reaccionários, só pode existir se entre homens e mulheres for cultivada precisamente a desigualdade que permite a aproximação amorosa entre os sexos. Como se o erotismo só fosse possível quando não há “respeito”. Para os melancólicos, a desigualdade é “sexy” e a igualdade uma ameaça à paixão.

 

A amizade entre homens e mulheres também não parece ser bem vista por liberais, mas talvez por motivos que terão mais que ver com amor-próprio do que com uma visão demasiado sexualizada da humanidade. Ser “só” amigo é uma expressão que suscita pena e desconfiança. Se o homem é “só” amigo da mulher, então isso significa que ele, coitado, não serve para mais nada. Serve “só” para ser amigo, que é como quem diz, é um bom ombro para chorar, etc. Não só é minimizado por não ser capaz de despertar o desejo na mulher, como a “amizade” que mantém com ele não é de galhofa, mas de recurso na tristeza. Do mesmo modo, a mulher que é “só” amiga de um homem nunca pode ser realmente “só” amiga. Mulheres mais conservadoras rejeitam instintivamente o epiteto, talvez porque “amiga” tenha sido em tempos outra palavra para “amante”. Ainda hoje um homem que tem “umas amigas” até pode ser amigo de todas mas aos olhos de muitos e muitas, o que ele quer sabemos nós.

 

É certo, no entanto, que os amigos (feminino e masculino) só em situações muito raras se tratam por “amigos”. E quanto mais evidente para ambos for a amizade, menos existe a necessidade de esclarecer a relação. Também há aquelas pessoas que “ficam amigas” de amores passados. Mas este caso é demasiado misterioso para mim e não me sinto habilitada a falar sobre ele.

 

Voltando ao que interessa, sim, mulheres e homens podem ser amigos, porque podem ter uma relação entre iguais, mesmo sendo diferentes. Como naquele vídeo em que vemos, respectivamente, um tigre a conviver pacificamente com uma cabra ou naqueloutro em que um cão é inseparável de um elefante. Se uma coruja pode ser amiga de um gato? Sim, pode. Longe de mim querer afirmar que existe uma diferença de espécie entre os sexos. É só uma metáfora que torna claras as nossas diferenças ao mesmo tempo que aponta para a possibilidade de, apesar delas (ou por causa delas), sermos amigos uns dos outros. Nem o homem nem a mulher vivem só de paixão.

 

Publicado na edição de hoje do i.

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publicado às 19:45

Por falar nisso

por Carla Hilário Quevedo, em 28.11.15

Dear Prudence, won't you come out to play?
Dear Prudence, greet the brand new day

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publicado às 19:38

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 28.11.15

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Sophia Loren 

 

... a pensar que gosto tanto do Vasco Pulido Valente que até podia suportar que não gostasse de mim. Não faria mal nenhum, não beliscaria o meu orgulho, não ficaria magoada. É como gostar dos Beatles ou dos Rolling Stones.

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publicado às 10:08

"Oh doctor, what does it all mean?"

por Carla Hilário Quevedo, em 27.11.15

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publicado às 09:31

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 27.11.15

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Sophia Loren

 

... comprei um chapéu e li um artigo sobre Camille Paglia em que o autor refere que, para Paglia, Sade, Nietzsche e Freud são "os verdadeiros homens do Ocidente". Sade não me interessa nada, mas Freud em particular é um 'verdadeiro homem'. Há dias uma amiga dizia-me, com graça, que é uma daquelas pessoas que nunca devia ter morrido. Morreu?

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publicado às 08:45

Fanatismo maternal

por Carla Hilário Quevedo, em 25.11.15

A mãe de um bombista-suicida afirmou pouco depois dos atentados em Paris que o seu filho não tinha intenções de matar ninguém. É certo que Ibrahim Abdeslam se fez explodir no exterior do café Voltaire e a única vítima foi o próprio. Os familiares explicaram que os actos do terrorista foram causados por stress. Apesar de Ibrahim ter ido à Síria e estar um bocado mais radicalizado, nada disso teve que ver com a sua participação na morte de 130 pessoas. O amor de mãe é o sentimento mais próximo do fanatismo. Muito provavelmente Ibrahim não matou ninguém por mera sorte de não ter inocentes à volta e por incompetência. Não é como os seus dois irmãos que também participaram no massacre em Paris. Mas os dois ainda estão a monte. Um deles é suspeito de ser o cabecilha (prefiro a ‘cérebro’, que me parece demasiado elogioso) do grupo que fez os ataques em simultâneo. Ambos já devem ter percebido que o filho preferido da mamã era o imbecil do Ibrahim.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 20-11-15

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publicado às 18:58

Decisão corajosa

por Carla Hilário Quevedo, em 25.11.15

No meio do verdadeiro horror transmitido pela televisão, vimos imagens de pessoas que tentavam escapar pelas portas laterais do Bataclan. Algumas corriam, outras estavam feridas, outra arrastava uma pessoa que tinha sido atingida pelos disparos. Vimos ainda uma mulher pendurada numa janela e mais tarde informaram-nos de que estava grávida. Minutos depois vimos alguém a socorrê-la e a ajudá-la a entrar no edifício em segurança. O final foi feliz. Depois de tudo ter acabado, a mulher tentou entrar em contacto com o homem que a tinha ajudado. Graças às redes sociais conseguiu encontrá-lo e agradecer-lhe. Não posso deixar de pensar nesta mulher antes de ser salva, antes de decidir pendurar-se numa janela para escapar da morte certa. Aquele momento em que decide tudo ou nada e em que toma uma boa decisão no desespero. Que mulher corajosa e de sorte! Mas uma sorte merecida, arrancada, ganha. Toda a minha admiração e alegria para esta mulher. 

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 20-11-15

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publicado às 18:55

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 24.11.15

Krysten Ritter

 

... com preguiça de me levantar.

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publicado às 08:06

A quem possa interessar

por Carla Hilário Quevedo, em 23.11.15

Somos Bibliotecas: Campanha de Promoção das Bibliotecas Públicas

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publicado às 19:11

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