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Estar em guerra

por Carla Hilário Quevedo, em 01.12.15

Muitas pessoas têm vindo a público insistir na tese de que o Estado Islâmico não tem nada a ver com o Islão. Compreendo a necessidade de separar os assassinos radicalizados de grupos de pessoas que vivem em paz, mas é uma evidência que todos os membros do EI são muçulmanos. A comunidade muçulmana moderada tem por isso o dever de se manifestar com veemência contra os atentados e denunciar os terroristas. Sim, em vez da oração sugiro a denúncia, que é um conceito mal visto nos nossos dias, mas que numa situação de guerra como a que a Europa está neste momento a viver é um dever patriótico, cívico, humanitário. Outro conceito esquecido é o de traição à pátria. Um extremista islâmico que tenha a cidadania francesa, como vários suspeitos dos atentados em Paris, tem de ser considerado um traidor à pátria e punido por isso. O conceito caiu em desuso com a Guerra Fria e a obsessão com politicamente correcto mas há que recuperá-lo antes que seja tarde.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 27-11-15

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publicado às 19:15

Reagir e recuperar

por Carla Hilário Quevedo, em 01.12.15

Uma semana depois dos atentados em Paris que vitimaram 129 pessoas, o Museu do Louvre está às moscas. No Hyperallergic foram publicadas fotografias da situação impensável de termos a Mona Lisa com quatro turistas à frente. Desapareceram os japoneses a tirar fotografias. O Louvre está deserto. Felizmente leio no mesmo site uma notícia animadora. O governo francês aprovou um fundo de seis milhões de euros para recuperar teatros, cafés, museus e edifícios que tenham sido danificados na sequência de ataques terroristas. Está também prevista a aprovação de uma lei que torne França numa espécie de anfitriã de artefactos em perigo de destruição na Síria e no Iraque. A lei será aplicada no caso do património mundial em risco de desaparecer às mãos da barbárie do Estado Islâmico. Enquanto os terroristas se dedicam à destruição, o Ocidente preocupa-se com a preservação do passado histórico comum. Entre tantas diferenças, esta é mais uma a sublinhar.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 27-11-15

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publicado às 19:08