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Venho, por este meio, dizer mais

por Carla Hilário Quevedo, em 28.01.17

Anteontem, no Irritações, Domingos Amaral acusou-me de ser "conservadora de direita" e depois "profundamente de esquerda" quando falo de mulheres. Respondi que todo o tipo de pessoas participou na Marcha das Mulheres, desde radicais de esquerda, bibliotecárias, a mulheres que defendem a proibição do aborto. Famílias inteiras, crianças e freiras (que podem ser mais liberais mas não têm uma posição anti-aborto) marcharam contra Trump e contra uma atitude que consideram ser hostil e discriminatória a todo um género. Embora a esquerda tenha feito o favor, é certo que muito com a cumplicidade de uma direita passiva, de se apropriar de todas as causas e mais alguma, a verdade é que ser feminista não é de direita nem de esquerda. Trata-se de abrir os olhos e perceber o óbvio. Homens e mulheres são iguais perante a lei, têm direitos e deveres iguais e, no entanto, as mulheres ainda não têm oportunidades iguais, não têm salários iguais e muitas vezes são tratadas como inferiores aos homens, um tratamento indigno, com consequências, que ainda hoje nos países ditos civilizados é desculpado. Em questões mais quotidianas (piropos, etc.) estou de acordo com Camille Paglia e Christopher Tietjens (um dia falaremos sobre a importância do cavalheirismo neste tempo): a mulher tem todo o direito a defender-se. E sem precisar de ninguém, nem do Estado, excepto nos casos de crime, evidentemente. E é por tudo isto que refuto a acusação de haver um osso de esquerdice neste corpo escultural que Deus me deu. 

 

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Fotografia de Erin Kesler, Raleigh, Carolina do Norte. 

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publicado às 09:12