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Chupa-vidas (4)

por Carla Hilário Quevedo, em 04.02.17

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Andavam a falar muito de Black Mirror e resolvi ver o que era. Concluí rapidamente que já tinha visto há bastante tempo a primeira e a segunda temporadas. Mas onde? Só vejo séries na mais estrita legalidade e subscrevi o Netflix há poucos meses. Seja como for, não tinha visto a terceira temporada, que é excelente. O adjectivo "excelente" deve ser usado com parcimónia no que respeita a séries de televisão. Insisto que "excelente" é aquela série cujos episódios são todos "muito bons", havendo mesmo um ou outro episódio melhor do que "muito bom", por exemplo o caso dos episódios 4 e 9 de The Crown, que estão além das cinco estrelas. Dizia, então, que Black Mirror tem uma terceira temporada excelente. Neste caso, não é errado falar numa temporada excelente, mas não numa série excelente. O que comprometeria seriamente a excelência de uma série inteira - haver duas temporadas de merda - neste caso não é de grande relevância, uma vez que cada episódio de Black Mirror tem, por assim dizer, vida própria. Cada episódio conta uma história, que começa e termina em mais de 50 minutos ou em hora e meia no caso do último episódio da terceira temporada, que é, digo-o sem reservas, excelente. O problema coloca-se quando aparece um episódio que desafia a classificação tradicional ou imposta. É o caso de San Junipero, o quarto episódio da terceira temporada de Black Mirror. Vamos chamar-lhe, à falta de melhor termo, obra-prima, como aquele Yves Klein, tendo a noção de que se trata de uma obra única e singural, a que tantas aspiram e ficam aquém. 

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publicado às 10:15