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Diário estival (6)

por Carla Hilário Quevedo, em 15.08.17

- Numa entrevista a António Araújo, a dada altura é feita esta pergunta a propósito de uma resposta em que é invocada uma certa atitude de ligeireza da imprensa, semelhante à dos blogues: "Aliás, vemos um historiador como Rui Ramos a escrever verdadeiros panfletos. É correta a sua atitude?". Há uma grande animosidade relativamente a Rui Ramos da parte de sectores mais à esquerda. A irritação na pergunta é evidente. Há ainda hoje quem acredite que os intelectuais de direita não podem existir. A ideia é, naturalmente, de uma esquerda que se reclama dona da cultura, da educação, da literatura e da história. Mas a pergunta fez-me pensar na derrocada da imprensa em Portugal, com vendas que assustam qualquer pessoa que gosta de jornais, que os lê e que entende serem vitais numa sociedade democrática. Os jornais em Portugal há muito que deixaram de ser dirigidos por intelectuais. A grande força do Observador, a sua diferença, é precisamente ter um intelectual como Rui Ramos na direcção. A minha crítica ao Observador é a crítica que faço a todos os jornais: faltam mulheres (nos conselhos de administração, nas direcções, na opinião). Só com homens, e ainda por cima todos tão parecidos, com poucas excepções, ninguém vai a lado nenhum. (E eu agora não posso.)

- A sétima temporada de Game of Thrones é puro prazer. É uma festa de ἀναγνώρισις em todos os episódios e em tantos momentos nos episódios. Ontem simpatizei com Samwell Tarly: "I'm tired of reading about the achievements of better men." O cansaço leva a que actue. 

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publicado às 12:01