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Diário estival (22)

por Carla Hilário Quevedo, em 07.09.17

- Por vezes, coisas que parecem simples são muitíssimo complicadas, como, por exemplo, saber ao certo a data e a freguesia de nascimento de uma pessoa. Se há dúvidas deste género sobre alguém que nasceu no século XX, o melhor é aceitar de uma vez que há aspectos da vida das pessoas em épocas mais antigas que nunca poderemos saber. E estou a falar de factos, não de reacções ou comportamentos, sempre sujeitos à interpretação de biógrafos e historiadores.

- Gostei da praxe solidária na Golegã. Excelente ideia! 

- Sinestesia é diferente de cinestesia. A primeira pode ser divertida, e até há quem veja palavras às cores. Há vários anos, treinei um pouco a segunda nas aulas de dança. O objectivo era desenvolver a percepção do espaço (ir de um ponto ao outro da sala com os olhos fechados, por exemplo) e a coordenação dos movimentos. Mas nos dias em que não há tempo para nada, só gostava de ter poderes de telecinésia

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publicado às 08:28

Diário estival (21)

por Carla Hilário Quevedo, em 03.09.17

- Clara Ferreira Alves foi ontem a única pessoa no Eixo do Mal a ter uma posição razoável e sensata sobre os blocos de actividades cor-de-rosa e azuis. Por causa da sua opinião moderada, foi atacada com agressividade por dois dos seus colegas de programa, ambos homens. Isto acaba por ser divertido. Eram aqueles que estavam "a defender" a causa feminista que mais se atiravam a uma mulher. CFA lembrou o óbvio: homens e mulheres não são iguais e ainda bem que não são. O problema está em pensar que essas diferenças são de capacidade ou de inteligência ou de potencial. Como não acredito nos poderes mágicos dos livros - se tivessem poderes, líamos todos o mesmo e não havia interpretação, nem opinião - e não desculpo comportamentos "por causa da educação que x ou y teve", tenho muita dificuldade em dar importância a este assunto. Todas as pessoas, sem excepção, têm o dever de sobreviver à sua infância, à sua família, sobretudo aos seus pais. Mas uma coisa ficou clara do programa de ontem: para uma certa esquerda, as causas abstractas são mais importantes do que as pessoas, que, coitadinhas, não sabem nem percebem e têm de ser devidamente orientadas e instruídas até repetirem as palavras certas, as ideias certas. Tudo aos berros, claro.

- Adoro que Madonna venha para Lisboa viver, se é mesmo verdade que tenciona mudar para cá. Parece é que não comprou a tal quinta em Sintra, que mereceu várias notícias que mais pareciam anúncios da Remax. 

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publicado às 09:33

Diário estival (20)

por Carla Hilário Quevedo, em 02.09.17

- A notícia de que o Papa Francisco a dada altura da sua vida procurou respostas a algumas perguntas no consultório do psicanalista fez-me pensar que além do respeito e da admiração que tenho pelo Papa, sinto também amor. Para os argentinos, como de resto para os franceses, a psicanálise não é um drama, nem um sinal de fragilidade. É uma oportunidade de fazer perguntas a si próprio, de dizer a verdade. Nada disto é possível sozinho.

- Ainda sobre Game of Thrones, a figura de Cersei Lannister é a mais fascinante para mim. A Mãe dos Dragões tem qualidades importantes, mas está convencida de que não é uma facínora, como foi o pai. A minha preferência vai para quem se conhece. Cersei é movida pelos seus interesses, pelo nome da família, pelo legado. Carrega um ódio motivador contra aqueles que causaram a morte dos filhos, directa ou indirectamente. Por tudo isto, parece-me absurda a ideia de que possa estar a mentir sobre a gravidez. Seria uma mentira de revista de cabeleireiro. Cersei mentiu a Daenerys sobre enviar ou não tropas para o Norte. Isso, sim, é digno de Cersei. Por fim, um pormenor. Sou fã do Night King e vibrei com a cena avassaladora da destruição da Muralha. Mas do que gostei mesmo foi das asas esburacadas do dragão não-morto. Parece que vamos ter de esperar até 2019 para vermos o final da série televisiva mais espectacular de sempre. Alguns dizem que se situa na Idade Média e tem influências de Tolkien misturadas com a lenda do Rei Artur. Para mim, é Homero e Tácito com Tucídides e dragões. 

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Cartoon de Farley Katz para The New Yorker.

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publicado às 08:06

Diário estival (19)

por Carla Hilário Quevedo, em 01.09.17

- Tive de me ausentar por uns dias e fiquei com acesso limitado à internet, o que me impediu de escrever aqui. Não ter wi-fi e os dados móveis acabarem de repente é uma grande seca! Deixemo-nos de coisas.

- Nesta ausência, fiz descobertas muito interessantes numa escavação arqueológica na garagem de uma casa de família. São documentos soltos, fotografias de pessoas cuja existência desconhecia e palavras escritas de quem conheci pouco. Foram dias de inesperada emoção. 

- Talvez a maneira certa de conseguimos que alguém de quem gostamos fale sobre o que queremos saber (e que, por alguma razão, não nos querem dizer) passe primeiro por revelarmos uma novidade. Depois é pedir factos e mais factos. Quando, onde, etc. As razões hão-de aparecer.

- Vi o último episódio da sétima temporada de Game of Thrones com os meus primos, três deles muito fãs da série e dois que nunca a tinham visto. Os três primos e eu estivemos no estado de transe e excitação que é próprio do fã taradinho da série. A novidade foi a adesão gradual dos dois que nunca tinham visto. No fim, um já estava preocupado com algumas personagens e o outro não tirou os olhos do ecrã. Juro que não houve proselitismo.  

- Já li várias críticas a este último episódio, mas julgo que a maioria revela expectativas caprichosas. (Atenção que a partir de agora, contém spoilers.) Até que ponto poderemos ser surpreendidos? A grande força deste episódio esteve, quanto a mim, em detalhes, como o momento em que o sinistro Qhorin pega no braço decepado, mas que ainda mexe da criatura trazida do terríório a Norte da Muralha. Aquela curiosidade científica às vezes confunde-se com imoralidade. E é certo que Qhorin fabricou um monstro. O Dr. Frankenstein quer ver o que é aquilo, quer tentar perceber como funciona, de que é feito, estudar a coisa. É um momento extraordinário. A cena de sexo entre tia e sobrinho foi muito criticada, de novo a meu ver sem fundamento. A experiência de Daenerys é vasta. Há que não esquecer que esta mulher foi casada com um bárbaro brutamontes que se apaixonou profundamente quando ela se virou. O pobre Jon Snow é um coelhinho assustado e o resultado é uma espécie de primeira aula no Kindergarten. A cena é perfeita. (Tenho mais duas observações para fazer sobre este último episódio. Ficam para amanhã.) 

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publicado às 09:32