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Diário outonal

por Carla Hilário Quevedo, em 22.10.17

- Apesar das opiniões praticamente unânimes - que tenha dado por isso, só André Ventura não gostou do discurso do Presidente da República -, fiquei atónita quando li que o discurso de Marcelo tinha sido "brutal". Não quero passar a minha existência diarística intermitente a criticar jornalistas, mas acho sempre tudo um bocado jovem demais, com "descodificações" e "entrelinhas" que não podem deixar de ficar aquém de qualquer expectativa. Qualquer pessoa que leia o Washington Post, o TLS e o NYRB, chega aos jornais portugueses e - com excepções muito dignas, atenção - parece que está a ler o DN jovem, com a agravante de ter sido extinto há séculos. 

- Marcelo fez um discurso magnífico que começa desta forma aparentemente simples e que é a base de toda a sua exposição: "O Presidente da República é, antes de mais, uma pessoa. Uma pessoa que reterá para sempre na sua memória imagens como as de Pedrógão." Está aqui para quem quiser ouvir outra vez. 

- Entretanto, os jornais e as televisões passaram estes dias a insistir que Costa tinha pedido desculpa ao País. Isto porque o Primeiro-ministro respondeu o seguinte ao líder parlamentar do PSD: ""Não vou fazer jogos de palavras, se quer ouvir-me pedir desculpas, eu peço desculpas". As análises e os comentários feitos ao PM foram, apesar de tudo, caridosas, e nenhuma reduziu o Primeiro-ministro àquele tipo de pessoa que adora dar boas notícias e que não sabe lidar com os problemas. É, porém, apenas isto que temos. 

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publicado às 09:17