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Diário outonal (3)

por Carla Hilário Quevedo, em 28.10.17

- Há dias ouvi miar alto perto da janela da cozinha. Era um gato preto bem tratado que parecia perdido. Convidei-o a entrar em casa e reconheci-o. Dei-lhe leite, fiz-lhe umas festinhas e peguei no telefone para sossegar a dona, uma vizinha, que não tinha dado pela falta do bicho. Enquanto esteve aqui, o gato esteve manso e andou à vontade. Não lhe peguei ao colo porque não conhecia intimamente, miou como quem fala muito, ouvi e respondi como pude. Depois veio a dona, agarrou nele com uma toalha e disse que a criatura era um demónio. Mais tarde falámos. "O que fizeste ao bicho que está um anjinho?" Só o tratei como uma pessoa.

- Uma gata da rua teve dois gatinhos pretos. Têm ambos manchas brancas na zona do peito que se alongam até ao focinho. Dizer que são "muito queridos" é pouco. Decidi, no entanto, não intervir no Grande Esquema das coisas. Não posso agora dar atenção a um bicho, mas um ano e meio depois da morte do Varandas, voltei a achar graça à ideia de ter um gatinho pequenino. Os sofás que entretanto comprei também já não são assim tão novos. Talvez em 2018.

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publicado às 08:32