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Diário outonal (8)

por Carla Hilário Quevedo, em 25.11.17

- Vai fazer 20 anos que vi um anúncio no Público em que uma empresa não identificada pedia um assistente editorial. Enviei uma carta manuscrita a acompanhar o currículo. "Mas isto é coisa que se apresente, uma cartinha assim escrita à mão?', reclamou, sorridente, o Pedro Rolo Duarte. Trabalhei no DNa durante uns meses, e o que me impressionou no Pedro foi o seu profissionalismo. Além de criativo, era um excelente editor, uma profissão que faz tanta falta nos jornais de hoje. Sabia do seu ofício, que incluía perceber o potencial das pessoas. A dada altura, depois de várias traduções e revisões, o Pedro perguntou-me se tinha "alguma coisa escrita minha" e mostrei-lhe dois contos curtos. Publicou ambos no DNa. Acho que era generoso com as pessoas de quem gostava. Ver os dois, enfim, "contos" (ambos para lá de maus) impressos no papel deu-me a perfeita noção dos meus limites. Tenho a agradecer-lhe várias coisas, entre as quais esta. Obrigada, Pedro. 

- Ontem foi um dia muito triste. A noite trouxe a graça desta frase do Miguel: "E agora? Com quem é que eu não vou almoçar todas as quartas-feiras?" Ouviu-se uma gargalhada do céu.

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publicado às 10:45

Diário outonal (7)

por Carla Hilário Quevedo, em 17.11.17

- Ainda a propósito da Web Summit, ficámos a saber que o Panteão tem estado muito animado. Quem diria... Gostava de saber se o génio geek que inventou este teste definitivo esteve presente no evento em Lisboa. Ora aí está uma criatura a quem gostaria de fazer umas perguntas (a terminar em "duh!").

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- Quanto ao deslumbrante quadro de Leonardo Da Vinci, arrematado por uns meros 400 milhões de dólares (os restantes 50 milhões e trocos correspondem a variadas taxas), Salvator Mundi, só lamento não ter a quantia disponível para poder fazer o telefonema da licitação. É tão injusto.

- Li duas boas piadas sobre a venda deste quadro, uma no Inimigo Público e outra no The Onion. No Guardian foi publicado um artigo sério sobre como se chegou a um valor tão elevado. É pôr um grupinho de bilionários a competir. Os homens são mais tansos, isso é certo, mas divertem-se mais.

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publicado às 08:08

Diário outonal (6)

por Carla Hilário Quevedo, em 11.11.17

- Ontem, no Irritações (o programa foi gravado na quinta-feira), irritei-me com a Web Summit, mais precisamente com o endeusamento das figuras que nos visitam para falar sobre aplicações. Para mim, uma startup é uma empresa que começa para cima, por isso, naturalmente que não fui à cimeira dos techies e dos nerds empreendedores. Atenção que me parece excelente que a Web Summit se realize em Lisboa. Acho perfeito que se reúnam aqui, que gastem aqui e que fiquem por cá a viver. Portugal precisa de investimento e precisa sobretudo de pessoas para crescer. O que me irrita na Web Summit é o estado de fascínio pueril pelos semideuses que dominam algoritmos e inventam aplicações para encontros, restaurantes, viagens ou seja o que for. Irrita-me que a imprensa e os governantes glorifiquem pessoas como o inventor do Tinder, ou um advogado "que chegou a presidente da Microsoft", pronto, ou uma senhora que inventou o booking.com (que dá imenso jeito, claro) ou outro que "lidera" o Messenger. Já para não falar do robô Sophia, que, segundo uma amiga, "não dá uma para a caixa". São de certeza "excelentes profissionais", com o quociente emocional certo e as características adequadas para trabalhar em equipa e liderar ao mesmo tempo. Mas é preciso pôr as coisas nos seus devidos lugares. Estas pessoas tiveram boas ideias e enriqueceram por causa delas, o que é excelente e não passa disso. Alguém alguma vez quis ouvir o inventor do limpa pára-brisas? E o que devemos fazer ao inventor da roda? Bem vistas as coisas, já merecia uma estátua.

- Quanto aos visitantes nervosos da Web Summit que esperam ter uma ideia milionária a partir de uma conversa com estes semideuses devo dizer que estas coisas não acontecem por osmose. 

- Imaginem que tínhamos uma Book Summit e que vinham cá os escritores que mais livros vendem em todo o mundo. Estou a imaginar uma reunião de pesadelo com Paulo Coelho, Nicholas Sparks, Dan Brown, tudo organizado pelo esperto do Alain de Botton. O que teriam essas pessoas para dizer? “Tive uma ideia, escrevi um romance e vendi cem mil exemplares”? E?

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publicado às 09:54

Diário outonal (5)

por Carla Hilário Quevedo, em 09.11.17

- É a brilhantíssima Mindhunter, série tão bem escrita e interpretada, a excelente segunda temporada de Stranger Things (sétimo episódio incluído), Alias Grace, de que gostei por ser curta e por não demonizar a religião, e um cartoon de Maddie Dai. 

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publicado às 07:53