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Entretanto, em Tulsa...

por Carla Hilário Quevedo, em 09.03.17

 

... uma rapariga de cinco anos chamada Edith Fuller ganhou uma etapa regional do Spelling Bee, um concurso em que os concorrentes soletram as palavras indicadas pelo júri, e passou para a fase final, que se realizará em Maio, em Washington. A prova durou cinco horas e Edith foi derrotando os seus adversários, todos mais velhos do que ela, até à vitória final, ao soletrar a palavra "jnana" com serenidade. A Slate, que é parva, achou que Edith era "the cutest contestant" e levou logo com a falta de pachorra das redes sociais em cima. Neste caso penso que os comentários até foram brandos. É que Edith Fuller, além de saber umas coisas, também fez um esforço considerável para ganhar. Fez muitas perguntas, todas as que eram permitidas, porque assim repetia a palavra muitas vezes, tentando imaginar como se escrevia. Foi uma mistura de ouvido excelente, método e paciência.  

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publicado às 09:45

Hoje comi empada

por Carla Hilário Quevedo, em 07.03.17

 

Nos últimos dias fiz um detox de Sweeney Todd a ouvir as canções magníficas de Frank Loesser e até descobri uma que não sabia que era dele, pensei um bocadinho sobre ela, ouvi todas as versões, concluí que Sinatra é o melhor a cantá-la, o costume. Mas hoje o almoço foi empada de galinha e tive de voltar a ouvir esta obra-prima de Stephen Sondheim. Já o tinha apanhado em entrevistas a dizer maravilhas de Imelda Staunton como Mrs Lovett. E depois tem a vantagem de ser recente (salvo erro, de 2012) e entre as versões muito boas, a mais recente é sempre a melhor, aquela que mais se aproxima do que foi imaginado. A letra é a original, de 1979, e inclui aquela parte do tinker, tailor, até chegar a locksmith e a rima tornar-se impossível.

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publicado às 15:11

'Take up a hobby. I recommend journalism'

por Carla Hilário Quevedo, em 28.02.17

Não sei o que anda a fazer o SNL, que há duas semanas não dá notícias, mas tem feito muita falta. Se calhar, estão a preparar-se para o White House Correspondents' Dinner. Ah, sonhos... Felizmente, de vez em quando, Jon Stewart sai lá da quinta dele e vai ao programa de Stephen Colbert.

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publicado às 10:46

All to do with herbs

por Carla Hilário Quevedo, em 23.02.17

 

Ontem, no Museu Nacional da Música, na conferência sobre Sweeney Todd, tinha já passado mais de uma hora quando percebi que ainda me faltava falar de quatro canções. E não queria abdicar de ouvirmos as gravações. Enfim, parecia a Mrs. Lovett a falar pelos cotovelos! Mas só porque há imenso a dizer sobre esta obra-prima de Stephen Sondheim. Ficou esta canção por ouvir e muitos versos extraordinários por comentar. Em God, That's Good!, Toby anuncia as empadas da Mrs. Lovett como anunciara o elixir do Signor Pirelli, uma mistura de cheiro duvidoso que prometia fazer crescer o cabelo a quem não o tinha. A canção é a mesma e celebra a aldrabice, a intrujice, a fraude. Toby é o inocente enganado que promove o engano com entusiasmo. E, se eu fosse a vocês, desconfiava muito de empadas, sobretudo das mais deliciosas.

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publicado às 11:05

Hoje, às 19h

por Carla Hilário Quevedo, em 22.02.17

Todd

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publicado às 07:42

Premiar o homicídio premeditado

por Carla Hilário Quevedo, em 20.02.17

Na quinta-feira passada, irritei-me com o prémio da Foto do Ano do World Press Photo, atribuída à fotografia do assassino do embaixador russo em Ancara. Começo por esclarecer que sou a favor da publicação da fotografia nos jornais, mas compreendo inteiramente a polémica. Há certamente muitas imagens que não são publicadas por muito que os terroristas queiram. Mas a publicação por si só, mesmo sendo de um homicídio premeditado (e este é um ponto muito importante) numa galeria de arte (outro ponto importante), não me causa dúvidas. Ninguém abraça causas por ver imagens de causas. Imaginem que me tornava um terrorista e era apanhado (tudo no masculino, claro). Em tribunal dizia que a responsável por me ter "tornado" um assassino era uma fotografia de um homicida jovem e magro de fato numa galeria. Aquela pose de poder, pistola numa mão e braço no ar, tinha-me levado a inscrever na célula terrorista mais próxima. O mais provável era cumprir uma parte da pena num hospital psiquiátrico. Isto para dizer que não há imagem nenhuma que nos leve a cometer um crime. O que nos leva a cometer um crime é a realidade de sermos criminosos. 

 

A publicação da fotografia não representa assim um perigo para a sociedade. Já premiar esta fotografia em particular é outro assunto completamente diferente. 

 

A pergunta é simples: o que se está a premiar? Aos que louvaram a coragem do fotojornalista da Associated Press, gostaria de lembrar que o próprio disse que num primeiro momento pensava que se tratava de uma performance. Nada mais natural. Numa galeria de arte, esperamos ver quadros, esculturas, instalações e, às vezes, performances. Acontece que agir (neste caso, fotografar) de uma certa forma pensando que se está a ver uma coisa que não é o que está a acontecer não qualifica o acto como 'corajoso'. Certamente, o fotojornalista tirou outras fotos, percebeu depois que a pistola era verdadeira, pode ter pensado que estaria em perigo de vida, etc. Sim, claro. Simplesmente, há uma inconsciência, ou entorpecimento por ter expectativas que são adequadas ao sítio onde está, que estraga, por assim dizer, ou pelo menos baralha as coisas. Terá sido coragem ou uma espécie de 'piloto automático' que o moveu? (Nada disto é um ataque ao fotojornalista. Tento apenas ir ao fundo desta questão, porque houve muita gente a falar na 'coragem' como a razão para a atribuição do prémio.)

 

O prémio é atribuído à fotografia, o que me leva de novo à questão: o que se está a premiar? Uma fotografia de um homicídio premeditado num sítio onde as pessoas vão ver obras de arte. O que aconteceu foi uma pessoa a matar outra a sangue-frio. É verdade que o mal existe em todo o lado, mas devemos premiar a imagem de um homicídio cometido como se fosse um espectáculo para ser publicitado? Por tudo isto, a minha resposta é não. 

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publicado às 09:30

São Valentim é todos os dias

por Carla Hilário Quevedo, em 14.02.17

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Humphrey Bogart e Lauren Bacall, 1945

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publicado às 13:26

"That was me blowing away their dishonesty"

por Carla Hilário Quevedo, em 12.02.17

A ideia de que a sátira tem poder para deitar governos abaixo e mudar o curso da História sempre me pareceu delirante e absurda. Depois deste sketch do SNL fiquei a pensar que o meu cepticismo era justificado num tempo em que os "alvos" eram gente "normal" que governava em democracias. Mas nenhum governante eleito numa democracia foi alguma vez tão débil e autoritário como Trump. E nos países em que há ditadores, o humor é reprimido, porque há uma relação directa entre a fragilidade emocional e de carácter e a brutalidade daquele que é o alvo da sátira. São criaturas que não suportam nada porque consideram que tudo lhes diz directamente respeito. Os sábados à noite passaram a ser comentados (e temidos) por membros da Administração, o que revela um incómodo nunca visto. Não digo que o humor seja "uma arma" contra Trump, mas fica claro que chateia e muito.

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publicado às 10:15