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Diário estival (15)

por Carla Hilário Quevedo, em 24.08.17

- Há personagens em Ray Donovan que me despertam compaixão. É uma grande série e pouco falada. 

- É triste assistir ao desaparecimento de títulos na imprensa a que nos habituámos desde sempre, mas a verdade pura e dura é que a imprensa escrita e em formato de papel tem cavado a sua própria sepultura aos poucos. Com excepções de sucesso, e havendo obviamente bons profissionais em todo o lado, as decisões tomadas não têm sido eficazes para sustentar a existência de jornais e revistas em papel. Primeiro houve quem tivesse a brilhante ideia de disponibilizar conteúdos na net de graça. Ora, por que diabo hei-de eu comprar o que me oferecem de graça? Também a qualidade caiu a pique e ninguém está interessado em comprar um jornal ou uma revista que insiste em temas idiotas que acabámos de ver no Facebook ou que analisa crises nacionais e internacionais a partir de timelines. É uma espécie de elitismo em pobre. Peço desculpa pela sinceridade, mas só me surpreende que tenham durado tanto.

- Deve haver muita gente no meio deslumbrada com números de visualizações e viciada em likes. Porém, na maior parte dos casos, trata-se de uma ilusão de interesse da parte dos "leitores". É grátis pôr um like e não significa nada. Se dedicar o meu tempo ao Facebook, com posts e comentários, terei muitos likes. Ganha popularidade quem investe mais. Achar que há consequências financeiras desta atenção é uma ilusão. Na maior parte dos casos, não há.

- Muitos utilizadores das redes sociais e "leitores" estão viciados em caixas de comentários. Ainda não percebi bem o que querem estas pessoas e de que doença exactamente padecem. Recomendo pragmatismo. Compram jornais? Assinam as edições online? Aposto que não. Até porque passam o dia a trocar insultos, vá-se lá saber sobre o quê. Gostei de ler este artigo de António Guerreiro sobre as caixas de comentários nas edições dos jornais online.

- Concluindo por agora, pois obviamente há muito mais a dizer, a imprensa escrita cometeu erros graves e arriscaria dizer que muito por vaidade. Quis competir pela atenção com meios "gratuitos", como blogues e redes sociais, e perdeu o foco do negócio. O que esperavam que acontecesse? 

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publicado às 10:04