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por Carla Hilário Quevedo, em 08.10.07
Um herói forçado



A nova série televisiva Dexter, em exibição no novo canal de televisão FX, não me entusiasmou tanto quanto eu gostaria. Tinha imensas expectativas (já se sabe que é um mau princípio) relativamente a esta série. A ideia de um assassino em série poder comover os espectadores e fazer com que tomem o partido do mais abjecto protagonista esvaiu-se completamente ainda o segundo episódio não tinha terminado. Dexter Morgan é um especialista forense em sangue que trabalha para a Polícia de Miami. Interpretado por Michael C. Hall (que muitos reconhecerão como o David de Six Feet Under), Dexter passa de polícia nas horas de trabalho para assassino em série nas horas vagas, resolvendo pelas suas próprias mãos casos que a Polícia não conseguiu resolver. Como assassino reconhece facilmente outros da mesma espécie e procede àquilo que pode ser entendido como uma vingança, mas que se trata afinal apenas de canalizar um instinto de morte para criaturas que cometeram crimes hediondos. A questão do merecimento deixa de existir a partir do momento em que percebemos os métodos cruéis utilizados por Dexter para aniquilar os criminosos à solta. De aparente justiceiro passa a ser desprezível e tão-somente um homicida como os outros. Os diálogos são lentos, a acção lenta é e o elenco que acompanha Michael C. Hall é muito fraco.

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-10-07.

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publicado às 08:10