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por Carla Hilário Quevedo, em 28.08.05
Ninho de cucos (22)

Todos os dias, há cerca de 20, o gato Varandas tem de tomar um comprimido. Meio, mas que, ainda assim, equivale a um comprimido grandito. À noite, um apanha-o e põe-no ao colo, virado de barriga para cima, faz-lhe festas, aproximando muito a cara do focinho e dos bigodes sempre a sorrir. Ninguém está ali para lhe fazer mal. O outro pega numa colher e mergulha o tal meio comprimido grande no azeite que ali colocou. Segundo conselhos do veterinário, o remédio será mais bem absorvido pelo organismo por causa da gordura que o envolve. Além de escorregar melhor pela boca abaixo. Está tudo a postos e o gato confiante (no sentido em que confia) só mexe o rabo, em sinal de desconforto. Mas está imóvel e deixa que um lhe abra a boca e o outro lhe ponha o comprimido bem no fundo, atrás da língua. Desde que a boca é aberta, demora um segundo: vupt e já está. Logo depois, o bicho vai à sua vida: come umas bolachas, bebe água e dorme mais umas 10 ou 12 horas para recuperar.

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publicado às 12:23