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por Carla Hilário Quevedo, em 03.05.03
Vira uma pessoa as costas durante uns míseros dias para se concentrar no estudo profundo de A Ilíada (deve ser, deve), e pumba, tem logo uma quantidade de e-mails a pesarem na caixa do correio. Mas o que é essa história da "estória"? Qual é o problema da palavra homossexualidade? E como é que entusiasmo é uma palavra grega? E, finalmente, o que diabo está escrito no final da mensagem?



Bom, antes de mais, obrigada por todas as mensagens e perguntas que enviaram (desde já anuncio que não sou loura, como julga o DiFool). Prometo três parágrafos curtíssimos e explicativos da etimologia de cada um destes três vocábulos:



1. A palavra "estória" não está registada no dicionário da Academia das Ciências, facto que prova que é melhor do que se diz para aí. O dicionário de Cândido de Figueiredo tem a palavra registada como história em português antigo (whatever that means) e não lhe dá muita importância. Mas vamos lá ao que importa: história é composta de dois vocábulos - 'istos, que significa rede e roí, o verbo fluir em grego antigo - que juntos têm o bonito sentido de "uma rede que flui". À espécie de apóstrofo (') que vêem antes da palavra istos, chama-se espírito rude e trata-se do sinal de aspiração que transliterado para latim resultou num h. E o que é que estória tem a ver com isto? Nada.



2. A palavra homossexualidade significa "do mesmo sexo" porque 'omos não quer dizer homem (como tenho ouvido por aí), mas o mesmo.



3. Finalmente, o vocábulo entusiasmo é de origem grega (julgo até que a primeira vez que aparece é em Platão), porque compreende a preposição en, que significa dentro e theos, deus. Ou seja, o entusiasmo é termos deus em nós, o que me parece uma ideia superior.



No final do post anterior está escrito: "obrigada e beijos para todos".



Prometo que só falarei destas coisas uma vez por mês. No máximo, duas.

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publicado às 12:04