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De farda

por Carla Hilário Quevedo, em 24.03.08

A proposta de lei do PS para a regulamentação da aplicação de piercings e tatuagens é tão extravagante que é capaz de vir de Bruxelas. Faz lembrar uma época em que de repente passámos a ter alfaces do mesmo tamanho e maçãs da mesma cor, tudo a obedecer a regras de desenvolvimento específicas. Assim estamos nós, sobretudo, ao que parece, os menores de dezoito anos. Nada de rebeldias, meus amigos. Isso era para bisavós com delírios de estrelas de rock. Agora o mundo precisa de pessoas todas iguais, de preferência com ideias iguais, modos de vida afins, nenhum traço distintivo, zero de excentricidade. A Europa unida vai acabar mesmo por ser vencida porque estará de tal forma entorpecida que se manifestará incapaz face aos problemas. Brincos na língua e golfinhos no braço não são problemas, pois não? Ou são problemas típicos de quem não tem nada para resolver, certo? Porque até se percebe o tédio na Holanda ou o mais tremendo aborrecimento na Dinamarca. Não há nada a resolver nesses países, e assim até podem inventar que a partir de certo dia vão passar a usar farda. Mandem lá um telegrama a Bruxelas ou seja a quem for que manda nisto a dizer que ainda não chegámos aí.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 21-03-08.

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publicado às 17:29