Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Brideshead Revisited (3)

por Carla Hilário Quevedo, em 25.03.08

Estimado Impensado, acabo de chegar da Byblos com Brideshead Revisited debaixo do braço. Agora que revi a série estou preparada para ler o livro. (Além de estar especialmente curiosa para ler as descrições que Julia faz de Rex, uma criatura que não é uma pessoa, uma espécie de órgão sem mais nada que o sustente.) É nesta qualidade, de espectadora e não leitora, que tento explicar a minha impressão. Mas permita-me dar um passo atrás: a salvação existe e é religiosa. O tema aliás está presente em toda a história. Mesmo o ateu Charles Ryder parece convertido no final, ao compreender a importância da educação católica de Julia, ao prever que o casamento não vai ser possível porque os modos de vida de ambos são irreconciliáveis, e ao perceber o sinal da cruz feito por Lord Marchmain no leito de morte. Quando disse que não havia salvação pensava no amor (Charles e Julia, Charles e Sebastian), em Marrocos (Sebastian, Anthony Blanche), no casamento (Bridey, Julia, Charles, Rex), no conhecimento (Oxford, Samgrass). Mas talvez seja assim como diz: a salvação de Charles pode estar na melancolia de que fala, ou na nostalgia de um tempo passado naquele sítio único. Ou talvez a minha intuição esteja certa: Charles Ryder acaba por se converter como Evelyn Waugh se converteu. A frase final do livro (que a adaptação respeita) é indicadora de qualquer coisa importante: "You are looking unusually cheerful today, said the second-in-comand." Após reviver o passado em Brideshead, Charles está bem-disposto, alegre, como nunca parece ter estado. Sounds like a beginning to me. (Vou ler o romance e voltamos a falar.)  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:55