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A liberdade maltratada

por Carla Hilário Quevedo, em 05.05.08

São frequentes as conversas sobre a liberdade. A liberdade de expressão, a liberdade de opinião, a liberdade individual, a nossa liberdade. Sobre a liberdade dos outros falamos menos, é certo. Não questionando a liberdade de falar sobre seja o que for, é verdade que quanto mais exploramos um tema, mais o esvaziamos, mais o banalizamos. Assim corremos o risco de chamar liberdade a uma espécie de vale tudo. Por exemplo, poucos entendem que um amigo não aceite um convite porque não lhe apetece. Dizer que não por vezes fere as pessoas mais insuspeitas. E, no entanto, quem diz que não costuma ser bastante livre. Experimente dizer a um amigo: «Desculpa, mas não quero ir ao jantar. Prefiro ficar em casa». São demasiadas as pessoas que se ofendem com a rejeição, e essa ofensa é um desrespeito à liberdade do outro. O exemplo é menor, bem sei, mas é comum. As pessoas entram em conflito porque não aceitam este tipo de coisas banais. Não aceitam que o outro não queira estar connosco naquele momento, não aceitam que queira ser deixado em paz e sossego, não aceitam que não queira ser incomodado. Poucos levam a recusa a bem, como devia ser levada. A bem da liberdade.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 3-05-08.

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publicado às 12:38