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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 15.05.08

Helena Bonham-Carter

 

... um amigo avisa-me dos riscos que corro neste caminho que decidi seguir. A estrada Waugh-Mitford-Wodehouse virando para Chesterton parece não ter retorno. Sossego-o dizendo que não me assustam os não regressos, e que talvez secretamente os deseje. Além do mais, muito em breve voltarei à casa helénica (de onde, na verdade, nunca saí) e tudo ficará bem. Quem sabe até se melhor por causa desse longo desvio. Um outro amigo a quem confessei os meus gostos recentes não foi tão compreensivo. Na verdade, ia-me matando. "O Wodehouse? Esse pateta das tias? Não! Tu achas que gostas mas não gostas. O Waugh, sim, era um génio. A Mitford tinha muito talento, mas o Wodehouse era um idiota!" A certa altura, transformei-me em british shorthair, balbuciando uns mas, mas que saíam da minha boca como miados tímidos. Enquanto ouvia, pensei no que podia servir para acalmar os ânimos. Talvez falar de uma passagem que há pouco li no Ulysses, uma brevíssima consideração sobre a superioridade da língua grega, por causa da profusão de vogais que a torna muito mais complexa e musical, ao contrário do que se passa com as línguas semitas ou com as saxónicas. Pensei em mudar o assunto para um autor em comum, acalmando assim a sua fúria, mas a única frase que me saiu foi: "Mas o Wodehouse gostava de cães, sabias?" Até hoje estou para saber se o silêncio na resposta significou uma mudança de ideias ou se terá percebido que não havia nada a fazer.

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publicado às 10:13