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Negra epifania

por Carla Hilário Quevedo, em 16.06.08

 

A versão de Tim Burton do musical Sweeney Todd de Stephen Sondheim chegou por fim aos clubes de vídeo. As vantagens de assistir a um filme no sossego do lar, com as maravilhas do rewind e a utilidade do fast forward. incluem decorar as letras das canções sublimes e reconhecer pormenores importantes na história, como, por exemplo, o instante em que Sweeney Todd passa de criminoso em busca de vingança a assassino em série. O momento de viragem é breve mas determinante. Anthony Hope, ansioso por contar que Johanna vai fugir com ele, interrompe Sweeney Todd quando a sua lâmina está prestes a cortar mais do que a barba do juiz Turpin. Por causa desta interrupção, o juiz sai e o barbeiro de Fleet Street tem uma epifania: enquanto espera por uma nova oportunidade de acabar com aquele que lhe destruiu a vida, dará uso às suas lâminas noutros clientes porque toda a humanidade merece morrer. A ideia que surge como um raio de sol dá-lhe a força de que precisava. Sweeney Todd percebe o que tem a fazer, e consegue recuperar certa alegria perdida. Se não fosse a personagem secundaríssima, não havia aquela terrível mortandade. Nem empadas.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 13-06-08.

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publicado às 19:56