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Deprimidos como nós

por Carla Hilário Quevedo, em 30.06.08

(Via Jansenista)

 

Juliet Macur faz no The New York Times um retrato da preparação dos atletas chineses participantes nas Olimpíadas de Pequim, sendo muitos originários do interior da China e nascidos no seio de famílias pobres. À primeira vista, as excepcionais condições atléticas seriam o passaporte certo para uma vida melhor. Mas não parece ser o caso. A obsessão do governo chinês em ganhar medalhas de ouro transformou a preparação desportiva em algo muito parecido com a escravatura. Mesmo o êxito nas competições não garante um futuro confortável. Muitos vencedores de medalhas em olimpíadas anteriores vivem com escassos recursos e sem segurança, um mau prenúncio. Outros, depois das vitórias alcançadas, serão levados a treinar futuros campeões. A dedicação exigida não deixa lugar a mais nenhuma actividade, nem à vida familiar. O prazer efémero da vitória na China olímpica será ainda mais fugaz. Julgar-se-ia que tudo ali é diferente e que não podemos olhar para aquele povo com os nossos redondos olhos ocidentais da mesma forma com que olhamos para nós. Mas aqueles atletas estão à beira da depressão. E isso não nos torna assim tão diferentes.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 28-06-08.

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publicado às 08:35