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Amanhã Wittgenstein

por Carla Hilário Quevedo, em 07.07.08

A adaptação das conferências de John Austin, publicadas sob o título How To Do Things With Words, é muito feliz. Uma breve análise do comportamento do público leva-me a concluir que o espectáculo, nos termos descritos por Isaiah Berlin, citado no programa por Pedro Mexia, também terá sido intelectualmente feliz. Responsável por essa felicidade é o muito talentoso Ricardo Araújo Pereira. A frase no cartaz «Ricardo Araújo Pereira a solo e a sério», não sendo performativa, informa o espectador de que não deve esperar o humor dos Gato Fedorento a que se habituou e por cujo regresso suspira. «A sério» apenas porque é inusual, dado que ainda por cima é «a solo». No entanto, como explicar a espécie de riso contínuo do público que acompanhou a estreia de Como fazer coisas com palavras? Rir neste contexto significa que Ricardo Araújo Pereira conseguiu criar uma tal empatia, que leva a que as pessoas se riam naturalmente quando interpreta seja o que for. Ser capaz de ganhar a generosidade do público é o feito mais nobre. A ideia de Pedro Mexia de passar o texto de Austin para o palco foi arriscada e valeu a pena. Para quando uma versão do Tractatus?

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 5-07-08.

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publicado às 08:22